Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Confrontos entre líderes de quadrilha no Morumbi e a polícia ocorriam há mais de um ano

Vídeo de março de 2016 mostra fuga de dupla durante abordagem da PM; líder era investigado em pelo menos 20 inquéritos do Deic por crimes na região

Felipe Resk e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 21h32

SÃO PAULO - Apontado como líderes da quadrilha morta no Morumbi, os procurados da Justiça Mizael Pereira Bastos, o Sassá, de 28 anos, e Felipe Macedo de Azevedo, o Miojo, de 24, atuavam juntos pelo menos desde março de 2016, em assaltos com emprego de armamento pesado e histórico de confrontos com a polícia. É o que mostra vídeo obtido pelo Estado.

Nas imagens, a dupla desembarca de um veículo prata, já atirando para trás. Em meio ao confronto, Sassá e Miojo voltam para o carro. Outros criminosos aparecem na gravação, pelo menos dois deles armados. Todos entram no carro e fogem. A filmagem é do 12 de março de 2016, um sábado, às 12h53.

O confronto foi com policiais militares e ocorreu durante uma invasão a uma residência na Avenida Amarílis, no Morumbi, na zona sul de São Paulo, segundo o Departamento de Investigações Criminais (Deic). Só Sassá, considerado pelos policiais o "rei do roubo à residência", era investigado em ao menos 20 inquéritos do Deic, por crime cometidos apenas nessa região.

A Polícia Civil afirma que a quadrilha seguia um modus operandi: uma parte fortemente armada ficava na contenção, enquanto os demais entravam na casa. Se a polícia chegasse, os bandidos do lado de fora atiravam para conter os agentes até que os outros voltassem.

Histórico. Um dos episódios em que Sassá esteve envolvido foi o assalto à casa do cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), no ano passado, diz a Polícia Civil. Ele era apontado pelos investigadores como um articulador do bando, responsável por levantar informações dos locais e reunir a equipe para praticar o roubo, convidando criminosos que dispunham de armamento pesado. 

Um desses criminosos era Miojo, que tinha experiência em ataques a agências bancárias, caixas eletrônicos e transportadores de valores. Ele entrou na mira dos policiais após balear um agente do Deic na cabeça, em 2012, em um assalto no Capão Redondo, na zona sul. O policial sobreviveu, mas perdeu um dos olhos.

Ele também participou de pelo menos outros três confrontos com agentes do Deic no interior, só neste ano: a explosão de caixas eletrônicos na prefeitura de São Roque, além de agências bancárias em Indaiatuba e de Aguaí. Miojo era procurado da Justiça por homicídio e receptação.

Segundo a Polícia Civil, Miojo esteve, ainda, no assalto à casa do secretário de Embu das Artes, Alcionei Miranda Feliciano, em abril. A vítima reagiu e acabou sendo baleada na perna. Após a morte do criminoso, os policiais teriam encontrado sete bananas de dinamite na casa dele.

Sassá e Miojo atuaram juntos na invasão à residência de um desembargador do Tribunal de Justiça, furtada no dia 20 de agosto, de acordo com as investigações. Na ocasião, não havia ninguém dentro da residência e os ladrões levaram até as malas das vítimas para carregar os objetos.

O bando costumava agir aos domingos. Também atacava o Jardim Europa e condomínios de luxo na Grande São Paulo e no interior. O principal alvo dos bandidos eram relógios, joias e dinheiro. Os ataques chegavam a ser milionários: uma das vítimas do bando avaliou em R$ 2 milhões um anel que a quadrilha levou.

Nove dos dez suspeitos mortos tinham passagem policial - cinco deles, com mandado de prisão aberto pela Justiça, principalmente por roubo. A quadrilha era investigada há sete meses pelo Deic.

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