Confronto na Favela do Moinho deixa pelo menos uma pessoa baleada

Moradores do Moinho relataram que guardas-civis, que estão na comunidade para impedir a reconstrução de barracos na área atingida pelo fogo, começaram a agredir mulheres e crianças

Denize Guedes e William Castanho,

20 de setembro de 2012 | 23h32

SÃO PAULO - Moradores da Favela do Moinho, na região central de São Paulo, e guardas-civis metropolitanos voltaram a entrar em confronto, na noite desta quinta-feira, 20. Um homem foi baleado na confusão e socorrido na Santa Casa de Misericórdia, também na região central. Na segunda-feira, um incêndio destruiu 80 barracos da comunidade.

De acordo com relatos de moradores do Moinho, a confusão começou por volta das 19 horas, quando as mães voltavam à favela com seus filhos após uma jornada de aula. Eles relatam que guardas-civis, que estão na comunidade para impedir a reconstrução de barracos na área atingida pelo fogo, começaram a trocar hostilidades e a agredir mulheres e crianças.

A Polícia Militar recebeu o chamado para dar apoio na Favela do Moinho por volta das 20h. Segundo o registro, "indivíduos estavam jogando bombas na GCM e havia muitos gritos no local". Viaturas seguiram para a região e o Helicóptero Águia também foi acionado.

A partir daí, o conflito tornou-se generalizado entre moradores e GCMs. "Começaram a agredir e a jogar bomba de gás contra os moradores. Os guardas também invadiram e reviraram as casas", disse o morador Milton Salles, de 55 anos, e um dos fundadores dos Racionais MCs. Seu barraco, onde mora com a mulher e mais seis filhos, foi consumido pelo fogo.

"Estou com a garganta seca e tem muita gente ferida", relatou Andreia Aparecida Evangelista, de 34 anos. Ela se abrigou com filhos no barracão da Escola de Samba Primeira da Aclimação, que fica na região do Moinho.

O senador Eduardo Suplicy (PT) foi chamado por líderes comunitários para tentar intermediar o confronto. "Pedi a todos que se acalmassem. Estavam todos gritando. Vi diversas pessoas feridas com balas de borracha, e pedi para ter um diálogo com a GCM", disse Suplicy.

O senador contou também que o padre Julio Lancellotti estava na comunidade para amparar moradores e negociar o fim do conflito.

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