Confronto entre GCM e moradores do Moinho deixa 1 baleado e mais 6 feridos

Moradores da Favela do Moinho, no centro, e guardas-civis metropolitanos voltaram a entrar em confronto, na noite de ontem. Um homem foi baleado na confusão e socorrido na Santa Casa de Misericórdia. Outros três moradores e três GCMs também ficaram feridos. Quatro viaturas foram apedrejadas. Na segunda-feira, um incêndio destruiu 80 barracos da comunidade e deixou um morador morto.

DENIZE GUEDES , WILLIAM CASTANHO, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h00

Por volta das 20h de ontem, a Polícia Militar informou ter recebido um chamado para dar apoio na Favela do Moinho. Segundo o registro, "indivíduos estavam jogando bombas na GCM e havia muitos gritos". Viaturas seguiram para o local e o helicóptero Águia também foi acionado.

Os PMs prestaram atendimento a Iran Ferreira Pinto, de 46 anos, que foi atingido na altura de um dos joelhos. A Santa Casa informou que ele deu entrada no hospital às 20h24, com "ferimento por arma de fogo". Até as 23h30, Pinto passava por cirurgia e não corria risco de vida.

De acordo com relatos de moradores do Moinho, a confusão começou no início da noite, quando mães voltavam à favela com seus filhos. Eles relataram que guardas-civis, que estão na comunidade para impedir a reconstrução de barracos na área atingida pelo fogo, começaram a trocar hostilidades e a agredir mulheres e crianças.

O conflito teria se tornado, então, generalizado. "Começaram a agredir e a jogar bomba de gás contra os moradores. Os guardas também invadiram e reviraram as casas", contou o morador Milton Salles, de 55 anos, e um dos fundadores dos Racionais MCs. Sua casa, onde morava com a mulher e mais seis filhos, foi consumida pelo fogo.

"Estou com a garganta seca e tem muita gente ferida", relatou Andreia Aparecida Evangelista, de 34 anos. Ela se abrigou com filhos no barracão da Escola de Samba Primeira da Aclimação, que fica na região do Moinho.

O senador Eduardo Suplicy (PT) relatou ter encontrado clima de tensão quando chegou ao local, por volta das 21h30. "Pedi a todos que se acalmassem. Estavam todos gritando muito. Vi diversas pessoas feridas por balas de borracha, e pedi para ter um diálogo com a GCM", contou. "Amanhã (hoje), na primeira hora do dia, vou procurar o prefeito Gilberto Kassab", disse Suplicy.

Incêndios. O incêndio de segunda-feira foi a 34.ª ocorrência de fogo em favelas neste ano na capital. De acordo com a Polícia Civil, o fogo teria começado durante uma briga entre um travesti e seu companheiro. Na noite de terça-feira, os moradores já haviam protestado. Segundo a GCM, os moradores reclamaram porque queriam reconstruir a favela um dia após o incêndio.

Em 22 de dezembro, quase metade dos barracos da comunidade foi destruída. Duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas. Anteontem, o Estado revelou que o Programa de Prevenção contra Incêndios em Assentamentos Precários (Previn), da Prefeitura, não recebeu recursos do Orçamento neste ano.

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