Confronto em invasão deixa 1 morto

Guarda Municipal de Piracicaba tentou impedir a construção de barracos em área; moradores atearam fogo a dois ônibus

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2013 | 02h05

Uma pessoa morreu com um tiro na cabeça, dois ônibus foram incendiados e quatro viaturas, apedrejadas, durante confronto entre moradores e a Guarda Municipal, em uma área invadida de Piracicaba, no interior paulista.

Na noite de quinta-feira, os guardas municipais foram até o bairro Bosques do Lenheiro, na periferia da cidade, para atender a um comunicado de suposta invasão de área verde, quando começou o confronto. Não havia decisão da Justiça para remoção dos invasores.

Segundo o comunicado da GM, pela manhã duas equipes da guarda já teriam ido ao bairro para impedir a construção de barracos. No fim da tarde, eles voltaram, após receber um comunicado de nova invasão.

As duas equipes teriam sido recebidas com violência. Pedras e objetos foram jogados contra os guardas, que chamaram reforço. Mais quatro carros da GM, seis motos e uma base móvel foram enviados ao local.

Foi quando os manifestantes atearam fogo a ônibus. Um deles fazia o transporte de passageiros de uma empresa e outro era do sistema coletivo urbano. Com o incêndio, a energia foi cortada no começo da noite e a situação ficou mais tensa.

Vítima. Segundo moradores do bairro e familiares de Frederico Alves de Jesus, de 22 anos, ele estava próximo do local onde houve a confusão. Uma moto da GM teria atropelado o rapaz. Depois, uma guarda, que estava em uma viatura, teria parado e disparado contra ele. O tiro atingiu a cabeça.

A família diz que houve abuso por parte da guarda e ressaltou que a vítima não tinha armas nem antecedentes. O delegado Emerson Gardenal, que investiga o caso, disse que os laudos da perícia indicarão se de fato o disparo que matou o rapaz partiu da arma de um GM.

Na versão da guarda, quando os manifestantes começaram a jogar rojões e bombas, as equipes deixaram o local. Na saída do bairro, quatro viaturas teriam sido apedrejadas. "Mesmo diante da confusão, uma guarda civil que ocupava uma das viaturas notou que havia uma pessoa caída na rua, mas não pôde parar para socorrer, considerando o grande número de pessoas que se aproximavam para apedrejar o veículo."

A Polícia Civil vai apurar se o tiro partiu da guarda e a possível omissão de socorro no caso. A corporação informou que acionou o resgate médico assim que viu a vítima caída no chão.

Ontem, os ônibus não circularam no bairro. As empresas informaram que só vão voltar a trabalhar na região quando a Polícia Militar ocupar a área e garantir a segurança de passageiros, funcionários e veículos.

No começo da madrugada de sexta-feira, uma base da GM, no bairro Santa Terezinha, foi alvo de disparos de arma. Um guarda estava no local, mas não ficou ferido. A polícia também vai apurar se há relação entre os casos.

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