Confronto deixa 10 feridos na Praça da Sé

PM usa bombas para dispersar manifestantes que jogavam ovos no prefeito Gilberto Kassab

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h01

Protesto contra o prefeito Gilberto Kassab (PSD) acabou em confronto com a Polícia Militar ontem na Praça da Sé, no centro. Pelo menos dez pessoas ficaram machucadas - cinco policiais e cinco manifestantes. Ninguém foi preso.

O tumulto começou por volta das 11h30, logo após o fim da missa de aniversário de 458 anos da cidade. Cerca de 600 pessoas aguardavam o prefeito, com bandeiras e faixas de protesto, na frente da escadaria da Sé. Entre eles estavam integrantes de movimentos sociais, de partidos como PSOL e PSTU e moradores de bairros afetados por grandes projetos da Prefeitura - como Jabaquara, Butantã e Santa Ifigênia.

Ao perceberem que Kassab tentava deixar a catedral pela saída dos fundos, muitos deles deram as mãos e cercaram a catedral. Vários gritavam "assassino" e "fascista" para o prefeito.

Seguranças tiveram de cercar Kassab para que ele pudesse entrar no carro, logo atingido por uma chuva de ovos. O veículo também foi alvo de socos e pontapés. Um rapaz quebrou o cano de PVC usado como mastro de bandeira no capô do carro oficial. Um segurança de Kassab levou um chute e caiu.

Foi quando a Polícia Militar - que, com a confusão, já havia aumentado seu efetivo de 50 para 70 homens no local - começou a usar bombas de efeito moral e gás de pimenta para dispersar o protesto. A Força Tática e seguranças do prefeito revidaram o ataque. Duas mulheres saíram sangrando nos joelhos. Um rapaz cortou o supercílio e outro levou pancadas de cassetetes nas costas.

O carpinteiro Lismar dos Santos, de 42 anos, chegou a correr atrás de um guarda de Kassab com um porrete de madeira nas mãos. Ele e outros manifestantes tentaram invadir um restaurante na Praça João Mendes, onde o segurança se escondeu. "Ele me deu um chute por trás enquanto eu ia no carro protestar. Nem vi. Fui tratado como cachorro", reclamou Santos, que disse ter perdido sua casa na Avenida Ipiranga em uma ação da Prefeitura.

Manifestantes reclamavam principalmente das ações policiais na cracolândia, na Favela do Moinho e na reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos. Esperado na missa, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) também era alvo do protesto, mas não compareceu e foi representado pelo vice-governador, Guilherme Afif Domingos (PSD). Não escapou, porém, de ser xingado pelos manifestantes.

O Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho, uma das lideranças do ato, distribuía adesivos com a inscrição "Todos Somos Pinheirinho" e foto de barracos em chamas. Cerca de 15 ex-ocupantes do Pinheirinho também participaram - foram trazidos a São Paulo por lideranças de movimentos de moradia. Mas nem todos voltaram. Enquanto falava ao Estado, o pintor Narvaldo Gonçalves dos Reis, de 52 anos, foi deixado para trás. "Foram lá me chamar pra cá, fiquei junto o tempo todo, agora me abandonaram", disse.

Danos. O comandante de policiamento do centro, coronel Pedro Borges de Oliveira, criticou o protesto e disse que nenhum ferido procurou a PM para ser levado ao hospital. "Foi uma atitude inesperada para um evento religioso. Mas, em razão da nossa presença, aconteceu dano mínimo."

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