Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Conflito na cracolândia deixa três guardas civis feridos

Cabos de guarda-sol, cadeiras e mesas foram usados pelos dependentes químicos para atacar a GCM

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 16h49

SÃO PAULO - Uma semana após a operação da Prefeitura de São Paulo para a retirada de barracas mantidas por usuários de droga na “favelinha” da cracolândia, dependentes químicos entraram em confronto com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) por volta das 16 horas desta quinta-feira, 7, na região central da cidade. 

Segundo informações da GCM, no momento da limpeza da rua, quando funcionários da Prefeitura retiram o lixo e jogam água no asfalto, usuários de droga teriam usado cabos de guarda-sol, cadeiras e mesas para atacar a guarda civil. A GCM tem operado com 180 homens na cracolândia, o dobro do efetivo comum à região. 

De acordo com o comandante da corporação, Gilson Menezes, três guardas civis metropolitanos tiveram “pequenas escoriações” e foram conduzidos para a Santa Casa. Há informações de que um dos usuários de droga envolvidos no conflito tenha sido encaminhado para um distrito policial da área. 

Para Menezes, o conflito foi uma reação ao controle da GCM na região, que vem proibindo a entrada e o uso de drogas, além da passagem de pedestres com materiais para facilitar a construção de barracos. A operação de desmonte da "favelinha" foi feita na quarta-feira da semana passada, 29. Dois moradores de rua ficaram feridos por estilhaços de bala. 


“Isso é algo orquestrado por traficantes”, disse o comandante. “É importante registrar que os dependentes se insurgiram contra a GCM por incentivo do tráfico, que não aceita que sejam montadas barracas. Estamos mantendo firme a fiscalização e é evidente que a droga está chegando menos”. 

Desde a semana passada, a GCM passou a vistoriar bolsas e sacolas de pedestres que queriam passar pela região, na tentativa de controlar a entrada de drogas. Para impedir a passagem de veículos, cones foram colocados na esquina das Alamedas Dino Bueno e Cleveland e uma faixa zebrada entre a Cleveland e a Rua Helvétia, próximo da Praça Júlio Prestes. Além de fiscalizar sacolas e mochilas de pedestres, a GCM também barrou ao longo do dia a passagem de carrinhos de supermercado, carroças e qualquer outro material que pudesse ser usado para a remontagem das barracas. 

Menezes destacou ainda que o conflito não vai alterar a rotina de fiscalização na área. “A situação não vai mudar o nosso esforço de não deixar em hipótese alguma que sejam montadas barracas novamente. Isso não vai acontecer”, afirmou. 

Operação. A operação de desmonte das barracas na "favelinha", que estava sendo organizada por Estado e Prefeitura, foi iniciada pela gestão Fernando Haddad (PT) sem aviso prévio.

A Prefeitura alegou que a Polícia Militar não foi chamada para evitar ações violentas ou repressivas, "conforme pactuado com as lideranças locais". 

A meta era repetir uma ação de janeiro de 2014, do programa De Braços Abertos, quando 150 moradias de rua foram desmontadas pacificamente pelos próprios moradores. Mas a operação teve momentos tensos, a PM foi acionada e dois moradores de rua ficaram feridos.

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