Tiago Queiroz/AE
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Condephaat tomba a fachada do Belas Artes

Decisão agrada tanto advogado de dono do imóvel quanto movimento pró-cinema

Artur Rodrigues - O Estado de S. Paulo,

15 Outubro 2012 | 22h13

SÃO PAULO - A fachada do antigo Cine Belas Artes, na Rua da Consolação, região central, foi tombada nesta segunda-feira, 15, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). A decisão, no entanto, não obriga que o local seja reaberto como cinema nem faz qualquer restrição nesse sentido.

A deliberação do conselho também tomba uma faixa interna de quatro metros a partir da fachada. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o objetivo é preservar a estrutura envidraçada característica do prédio. Assim, mesmo que o local passe a ser usado como uma loja, por exemplo, continuará parecendo um cinema.

O conselho também deliberou que se "contemplem elementos na calçada e fachada que remontem à memória do cinema, a fim de garantir o registro permanente da memória aderente desse lugar". A minuta de tombamento detalhará como isso será feito.

Sócio do Cine Belas Artes, André Sturm diz que preferiria que fosse feito o tombamento do uso do prédio. "Mas acho que é uma decisão histórica. Pela primeira vez, o Condephaat tomba pelo valor cultural e não arquitetônico", diz, confirmando que a determinação não impede que o dono do imóvel transforme o local em uma loja, como diz ter ouvido dele em 2010, quando o contrato deixou de ser renovado. "Acho que vão destruir lá dentro e alugar."

O advogado Fabio Luchesi Filho, que representa o dono do prédio, Flávio Maluf (que não tem parentesco com Paulo Maluf), também considerou a deliberação do Condephaat "uma vitória importante". Segundo ele, a decisão não prejudica as intenções do dono do prédio em "absolutamente nada". Ele não detalhou o que será feito do imóvel.

O Movimento pelo Cine Belas Artes, que já tem mais de 90 mil apoiadores na rede social Facebook, não perdeu a esperança de que o local volte a ser cinema. "Com uma fachada diferenciada, registro de memória, fica quase impossível ter um magazine lá", acredita a turismóloga Eliane Manfré, integrante do movimento.

Também parte da mobilização, o escritor Afonso Lima diz que o assunto será discutido em audiência pública na segunda-feira na Assembleia Legislativa. Os dois pré-candidatos à Prefeitura, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), serão convidados a opinar sobre o tema. Para Lima, o ideal seria instalar um centro cultural no local. "A compra (pela Prefeitura ou governo do Estado) é viável e seria um patrimônio para sempre", afirma.

Dúvidas. Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo, Renato Cymbalista afirma que "não entende" a deliberação do Condephaat. "Se o que estamos preservando é uma relação entre o cinema e a cidade que precisa ser protegida, pois aos poucos os cinemas de rua estão deixando de existir, não vejo como é possível fazer essa preservação sem preservar o uso do edifício como cinema", afirma.

Em sua opinião, cada tombamento precisa ser analisado individualmente. "Alguns funcionam bem e outros não", diz Cymbalista.

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