Condenado promotor que atropelou 3

Em 2007, ele matou passageiros de moto ao entrar na contramão em rodovia; pena de 4 anos foi revertida para serviços comunitários

ROBERTO ALEXANDRE, ESPECIAL PARA O ESTADO, ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h03

O promotor de Justiça Wagner Juarez Grossi, de 47 anos, foi condenado a 4 anos de detenção por triplo homicídio culposo (sem intenção de matar), por provocar um acidente de trânsito que matou três pessoas em Araçatuba, no interior paulista, em 2007. A decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no entanto, reverteu a pena para serviço à comunidade durante o período de condenação.

Os desembargadores Guilherme Strenger e Ruy Coppola também determinaram a suspensão da carteira de habilitação de Grossi por 4 anos. O trabalho comunitário, segundo o TJ-SP, deve ocorrer em uma instituição beneficente de Araçatuba, a ser indicada pelo Juízo das Execuções local. O promotor ainda foi condenado a pagar indenização de R$ 15 mil para familiares de duas vítimas. A decisão foi publicada na quarta-feira.

Mortes. O acidente aconteceu na noite de 7 de outubro de 2007, na Rodovia Eliezer Montenegro Magalhães (SP-463). Segundo o que apurou o inquérito policial e depois o processo na Justiça, o promotor estaria com sinais de embriaguez e em alta velocidade, o que não foi confirmado durante o processo.

O promotor, que trafegava com uma caminhonete Ranger, invadiu a contramão e bateu de frente em uma motocicleta ocupada por três pessoas. A moto era conduzida pelo metalúrgico Alessandro da Silva Santos, de 27 anos, e na garupa estavam sua mulher, Alessandra Alves, de 26, e o filho do casal, Adriel Rian Alves, de 7. Os três morreram no local.

No carro de Grossi foram encontradas latas de cerveja e a polícia relatou que o suspeito tinha "hálito etílico". Grossi só não foi preso em flagrante por pertencer ao Ministério Público e teve de ser retirado do local pela Polícia Militar, porque houve tentativa de linchamento. O promotor foi denunciado pela Procuradoria-Geral de Justiça por triplo homicídio culposo.

Na época, a defesa do promotor contestou as informações de que ele estaria embriagado. Ontem, nem Grossi nem seus advogados foram localizados pela reportagem para comentar a decisão do Órgão Especial.

Transferência. Um ano após o acidente, Grossi foi removido do posto de Araçatuba pelo Conselho Superior do Ministério Público, mas foi transferido para a 2.ª Promotoria Cível do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.

Na época, o advogado de Grossi, Edson Velho, considerou que teria sido melhor para o promotor se ele tivesse sido suspenso. "Ele nasceu em Araraquara e tem raízes lá. Na verdade, aplicaram a pior pena que existia, vai ser um sofrimento para ele. Agora, terá de ficar longe da família", disse. No entanto, Velho não recorreu da decisão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.