Condenado por pedofilia, ex-oficial do Exército trabalhava normalmente no Rio

RIO - Foragido desde outubro de 2010, quando foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por pedofilia em instituição militar, o ex-primeiro tenente do Exército Paulo Roberto França de Souza foi descoberto pela Polícia Civil do Rio trabalhando normalmente na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) em dezembro do ano passado.

Marcelo Gomes, O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h04

Souza se apresentava como analista de sistemas do Grupo de Tecnologia em Computação Gráfica (Tecgraf), que funciona no campus da PUC-Rio, na Gávea, zona sul da cidade. Em 11 de dezembro, policiais estiveram no local e foram informados por funcionários da recepção que o ex-militar estaria no laboratório no dia seguinte. Os agentes retornaram à universidade e foram recebidos pelo chefe do setor, que disse que Souza enviara um e-mail, naquela madrugada, pedindo afastamento do trabalho alegando motivos de ordem pessoal.

Procurada pelo Estado, a PUC-Rio informou que, após cursar o mestrado, Souza continuou como bolsista no Tecgraf. Ele estava em vias de ser contratado, mas vinha postergando a entrega dos documentos necessários.

A universidade diz ter sido surpreendida com a ação da polícia, e que desde então não mantém qualquer contato com o ex-aluno. A reportagem não conseguiu localizá-lo. No processo que consta da página do Superior Tribunal Militar (STM), não há advogado constituído.

Graduado em Engenharia da Computação pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), o ex-oficial obteve, em abril de 2011 (quando já estava foragido), o título de Mestre em Informática na PUC-Rio. Ele também é autor de um livro e de um artigo sobre programação de computadores - ambos publicados em 2001.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), Souza praticou "atos libidinosos consubstanciados em sexo anal e sexo oral" com três meninos, entre 9 e 11 anos de idade, no período de 2 de maio a 16 de junho de 2003. Ele conheceu os garotos, "todos oriundos de famílias muito pobres, na praia do Recreio dos Bandeirantes" (zona oeste). Para seduzi-los, prossegue o MPM, ele "apresentava-se como pessoa rica e, com a promessa de presenteá-los com roupas, dinheiro, brinquedos, passeios e dar-lhes comida, levou-os por várias vezes para dentro da unidade militar onde servia, o Centro Tecnológico do Exército", em Barra de Guaratiba, zona oeste da cidade.

A 4ª Auditoria da Justiça Militar no Rio aceitou, em outubro de 2004, a denúncia apenas em relação ao menor de 9 anos. Em seu interrogatório, Souza reconheceu que levou a criança para quartel em 2 de maio de 2003, mas negou a prática de qualquer ato libidinoso. Ele disse ainda que, no dia anterior, encontrou o menino na praia, ocasião em que revelou que sua mãe sempre lhe batia. Por isso, o militar teria aceitado levar o menino à sua residência, localizada dentro do quartel. Souza admitiu que auxiliou o menor com roupas e alimentação, mas negou que tenha sido em troca de qualquer favor.

Em 2007, o ex-oficial foi absolvido das acusações. O MPM recorreu e, em outubro de 2010, o Superior Tribunal Militar (STM) reverteu a decisão de primeira instância, condenando o ex-militar a 4 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Foi expedido mandado de prisão e, desde então, ele está foragido.

Reincidente

Em 2004, Souza já havia sido condenado pela 3ª Auditoria da Justiça Militar no Rio a 8 anos de prisão por crimes semelhantes. O STM reduziu a pena para 4 anos e 9 meses. O oficial foi preso e a pena foi declarada extinta em 2009. Devido à esta condenação, ele foi declarado indigno para o oficialato e expulso do Exército em junho de 2008.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.