Condenado a 33 anos e 9 meses de prisão, Gil Rugai vai para casa

Após cinco dias de julgamento, Gil Rugai, de 29 anos, foi condenado a 33 anos e 9 meses de prisão pela morte do pai e da madrasta há quase nove anos por motivo torpe. Às 19 horas de ontem, o juiz Adilson Simoni determinou que o réu pode recorrer da sentença pelo duplo homicídio qualificado em liberdade.

ADRIANA FERRAZ , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h01

Sem a gravata usada no julgamento, Rugai ouviu o veredicto impassível. "É um sentimento de ganhou, mas não levou. A Justiça ainda não foi feita", afirmou o assistente de acusação, Ubirajara Mangini.

A decisão dos jurados, apertadíssima, foi revelada por volta das 16h30 de ontem, pelo promotor de Justiça Rogério Zagallo, que entrou no plenário com lágrimas nos olhos e foi ovacionado pelos colegas, que o aplaudiram em pé. O resultado foi apertado: por 4 votos a 3, os jurados condenaram o réu.

Durante os debates, em uma estratégia ousada, Zagallo aumentou o tom e abriu mão da réplica, evitando assim dar mais uma hora aos advogados de defesa. "Com isso, eles morreram com o zap na mão", avaliou o promotor Arual Martins, referindo-se à principal carta do jogo de truco. Luis Carlos Rugai, de 40 anos, e Alessandra Troitino, de 33, foram assassinados a tiros em 28 de março de 2004 na casa onde moravam, em Perdizes, na zona oeste. Desde então, as suspeitas recaíram apenas sobre Gil, o filho mais velho, que sonhava em ser padre.

Com um tom de voz exaltado, Zagallo expôs o perfil do réu, que classificou como uma pessoa de "personalidade dupla". Segundo o promotor, Gil se divide entre a "normalidade e a psicopatia". E mostrou imagens da chegada do acusado à casa do pai após o crime para ressaltar o tipo frio, calculista, capaz de matar. Para comprovar sua tese, leu diversos depoimentos colhidos durante o processo e ressaltou alguns comentários, como o feito por um dos funcionários da produtora do casal. "Esse funcionário disse que ouviu Gil dizer: 'Seria mais feliz se meu pai morresse'."

A defesa rebateu, tentando desmontar a imagem de "monstro" do réu, chamado por seus advogados de "menino, moleque, padreco", e desqualificando provas e testemunhas. Durante sua explanação, os advogados Marcelo Feller e Thiago Anastácio ainda mostraram supostas contas telefônicas que tirariam o acusado da cena do crime. O plano não deu certo. Os dois últimos votos dos jurados nem sequer foram abertos na sala secreta - Gil foi condenado.

Logo depois de saber da condenação, Zagallo falou com os jornalistas ainda emocionado: "Tenho a sensação do dever cumprido. Esta semana não foi fácil. Tentaram me humilhar, disseram que não estudei o caso e que minha denúncia é ridícula, mas eu sei o que faço. Não colocaria o Gil ali (no banco dos réus) à toa."

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