Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Concessão do Parque Chácara do Jockey não atrai interessados em SP

Nenhuma concessionária apresentou proposta para gerir o parque durante 35 anos; Prefeitura de São Paulo pretende lançar nova licitação

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 11h08

SÃO PAULO - Nenhuma empresa fez uma oferta pela concessão do Parque Chácara do Jockey, na Vila Sônia, bairro nobre da zona sudoeste da cidade de São Paulo. O evento para recebimento dos envelopes de propostas ocorreu na manhã desta terça-feira, 26. O contrato seria assinado somente após a análise da proposta e a elaboração de um Plano Diretor - previsto em acordo assinado na semana passada e que determinará as intervenções e atividades possíveis no local.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), uma nova licitação será publicada após reuniões com "potenciais interessados" e a elaboração do Plano Diretor, o que pode levar até seis meses. Com concorrência internacional, a concessão pretendia repassar, por 35 anos, a gestão, a manutenção e a operação do parque - inaugurado em 2016. O valor mínimo estabelecido era de R$ 1,08 milhão, além do pagamento de 1% da receita bruta.

O parque é dividido em três núcleos: Jockey (de equipamentos esportivos, com 61,2 mil metros quadrados), Baias (área construída e histórica, com 37,5 mil metros quadrados) e Pirajussara (área verde, com 45,7 mil metros quadrados)

No edital, a Prefeitura de São Paulo prevê que a construção de um estacionamento com 140 vagas e custo médio de R$ 10. Também está prevista a cobrança para realização de filmagens e fotografias profissionais, locação de bicicletas e aluguel de vestiários, entre outros, além da reabertura do restaurante local.

A receita da concessionária viria também do aluguel da maior parte da área construída do parque - 7 mil m² dos 493,5 mil m². O edital foi, contudo, criticado por moradores da região e pelo Movimento Parque Chácara do Jóquei, especialmente pela ausência de plano diretor e por permitir atividades musicais.

Na consulta pública do edital, a Prefeitura justifica a proposta a um "significativo aumento no número de parques municipais", que subiram de 38, em 2008, para 106. O texto diz que não foram cumpridos "elementos previstos inicialmente no projeto original" por "restrições orçamentárias", tais como reforma das baias, implementação de um playground e construção da horta comunitária, entre outros.

No dia 11, foi realizada a abertura dos envelopes da concessão do Ibirapuera e de outros cinco parques. A vencedora foi a empreiteira Construcap, com oferta de R$ 70 milhões. Além dos parques, o plano de desestatização iniciado na gestão João Doria (PSDB) inclui  as concessões do estádio do Pacaembu (suspensa na Justiça) e do Mercado de Santo Amaro (vencidade pelo Consórcio Fênix), dentre outras.

História. O parque foi inaugurado em 2016 em área desapropriada do Jockey Club de São Paulo, como pagamento de uma dívida de  Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). As edificações da época foram mantidas e parte teve o tombamento municipal aprovado em outubro pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp).

Segundo a Prefeitura, somente três dos 20 conjuntos de baias do parque foram restaurados. As demais enfrentam problemas de conservação, como falta de telhado e portas, pichações e mato alto.

 

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