Conar veta anúncio que faz ironia sobre pacificação de favela

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) negou recurso da fabricante de lingerie Duloren contra a decisão de proibir a veiculação de campanha publicitária. Lançada em março, com o slogan "Pacificar foi fácil. Quero ver dominar", a propaganda deixou de ser veiculada em maio por ordem do Conar. A peça faz menção à pacificação da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio, ocorrida em novembro de 2011 como preparação para a instalação de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2012 | 03h05

Sessão de 31 de julho negou o recurso da Duloren, mas o resultado só foi divulgado agora.

Na foto que compõe a propaganda, uma moradora da Rocinha, a depiladora Ana Paula da Conceição Soares, de 29 anos, aparece de lingerie, com olhar desafiador e segurando um quepe militar. Ao fundo, um homem com roupa semelhante ao uniforme do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da Polícia Militar do Rio, aparenta estar desacordado. O cenário ao fundo é o de uma favela e no alto da foto se lê o slogan.

A propaganda levou a mais de 20 reclamações de consumidores, homens e mulheres, ao Conar. Em 16 de maio, os 13 conselheiros do órgão decidiram pela suspensão, mas a Duloren recorreu alegando que o objetivo era demonstrar que "pode-se pacificar um morro, mas homem nenhum é capaz de dominar uma mulher com lingerie Duloren".

"O anúncio tentou inovar e foi infeliz, pois vulgariza a mulher e banaliza o programa de pacificação das favelas", afirmou a relatora do recurso, Renata Garrido.

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