Conanda pede instauração de inquérito contra PM no caso Eloá

Conselho repudia a maneira como a operação foi conduzida e a volta de Nayara ao apartamento

Ítalo Reis, do estadao.com.br,

20 de outubro de 2008 | 16h13

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) pediu nesta segunda-feira, 20, a instauração de inquérito para apurar a responsabilidade dos disparos que mataram Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, e feriram sua amiga, Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos. Ambas ficaram em poder de Lindemberg Alves, de 22 anos, por mais de 100 horas, em Santo André. No comunicado, o órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) também repudia a maneira conforme a operação foi conduzida pela Polícia Militar.  Veja também:A íntegra da nota do Conanda  Corpo de Eloá chega ao cemitério de Santo AndréMenina de 18 anos recebe o pulmão de EloáCoração de Eloá é doado a mulher de 39 anosLindemberg teme ser morto na cadeia e advogada fará a defesaNayara recebe a notícia da morte de Eloá e terá alta na quartaLaudo vai apontar quem é o autor do disparo que matou EloáSecretário Nacional de Segurança crítica polícia no caso Eloá Saiba como foi o fim do seqüestro  Confira cronologia do seqüestro  Galeria com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso  Imagens da negociação com Lindemberg Alves I   Imagens da negociação com Lindemberg Alves II   Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador'  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP   "Em que pese o acúmulo de competências da Polícia Militar, chama a atenção que os responsáveis pela operação não tenham reconhecido a complexidade do caso, em que o detentor apresentava claros sinais de distúrbios emocionais, fato este que demandava, portanto, o envolvimento de outros profissionais habilitados para mediar conflitos, minimizando os riscos à integridade física das meninas", diz a nota do Conanda. Além disso, o conselho também critica a PM pela autorização do retorno de Nayara ao cativeiro, expondo a garota a um ato inseguro e de violência, o que, segundo o órgão, descumpre a lei 8.069 (13/07/90) do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Especialistas criticam uso de Nayara A participação de Nayara nas negociações para a libertação de Eloá foi criticada por juristas e especialistas em segurança pública ouvidos pelo estadao.com.br. Nayara havia sido mantida em cárcere privado com a amiga. Libertada, ela voltou à cena do crime para ajudar nas negociações na manhã de quinta, 16. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, a polícia convenceu a menina a ir com o irmão de Eloá até a escada do prédio da CDHU onde ocorreu o crime. Nayara então espontaneamente teria voltado ao apartamento.  Segundo o consultor internacional em segurança Hugo Tisaka, de 37 anos, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi tecnicamente correto durante toda a operação, mas errou em não prever que a menina poderia trair a confiança dos policiais. "Foi uma atitude arriscada, mas deve ter algum embasamento. Eu acho que a polícia foi enganada pela menina", disse. O advogado criminalista Guilherme Nostre, de 37 anos, doutor em direito penal pela USP, também criticou a atitude dos policiais. "Foi um procedimento totalmente equivocado", afirmou. "Em nenhuma hipótese poderia ter sido permitido que uma menor de idade tivesse acesso ao local dos fatos". Segundo o jurista, a negociação deveria envolver profissionais ou pessoas da confiança de Lindemberg. Antes do desfecho trágico da operação, a polícia havia chegado a um acordo com Lindemberg. Ele soltaria as reféns após ter recebido uma garantia de que não sofreria agressões. A polícia invadiu o local, segundo o coronel, depois de ter ouvido tiros. De acordo com Tisaka, os policiais esgotaram todas as possibilidades de negociação. O consultor em segurança acredita que o que corrobora com a versão da polícia que houve um tiro lá dentro é a falta de sincronia da operação. "É um case que muita gente vai aprender. Um lado sempre vai perder, não tem jeito", disse.  (Com informações de Luiz Raatz, do estadao.com.br)

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