Conac quer aumentar capacidade de terminal em Cumbica

Conselho também vai determinar que a Infraero otimize o uso dos aeroportos de Cumbica e Viracopos

Isabel Sobral e Leonardo Goy, da Agência Estado,

30 de julho de 2007 | 18h48

O Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) determinou nesta segunda-feira, 30, por meio de uma resolução, que a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) apresente, em 30 dias, um estudo para aumentar a capacidade operacional do Terminal 1 do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos. Até outubro, o aeroporto deverá receber a maioria dos 151 vôos que devem ser redistribuídos do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo.   O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que uma das resoluções do Conac permitirá o fim do aeroporto de Congonhas como hub (centro de distribuição de vôos). A resolução estabelece que 151 vôos diários que hoje partem de Congonhas sejam redistribuídos para outros aeroportos, principalmente Guarulhos.     Jobim anunciou o aeroporto de Congonhas operará vôos para apenas 11 destinos e perderá 151 vôos diários, de um total de 712 que opera hoje. Os destinos que permanecerão com saída a partir de Congonhas são: Brasília, Confins (Belo Horizonte), Galeão e Santos Dumont (Rio de Janeiro), Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Foz do Iguaçu, interior de São Paulo e Campo Grande.  Segundo Jobim, o aeroporto de Viracopos também será preparado pela Infraero para ser utilizado em eventualidades e, num segundo momento, ajudar o aeroporto de Guarulhos a receber esses vôos.   Jobim informou que Congonhas tem 22,92% de seus vôos operando na ponte aérea e isso será mantido. Outros 23% dos vôos partem de Congonhas para Brasília, Confins (Belo Horizonte) e Curitiba. Outras localidades do País recebem 43,87% dos vôos de Congonhas. "Isso mostra claramente que o aeroporto é usado como hub". Segundo o ministro, o Conac fixou até 20 de outubro de 2007 o prazo para que a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) coloquem em prática essa determinação.   A mesma resolução do Conac estabelece que a Infraero deverá apresentar, a cada 15 dias, relatórios ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre o andamento dessas ações e dos estudos para ampliação dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos.   A Infraero precisa executar "de imediato" todas as medidas necessárias para otimizar e racionalizar o fluxo de passageiros nos aeroportos de Guarulhos, na grande São Paulo, e Viracopos, em Campinas .   O Conac determinou também que a estatal reestude o lay out de Guarulhos e Viracopos e execute medidas para melhorar a acomodação dos passageiros até o dia 20 de outubro. O conselho também recomendou que seja avaliada a "pertinência" de realizar uma contratação emergencial de salas de embarque pré-fabricadas.   Outra determinação é que a Infraero se articule com a Advocacia Geral da União (AGU) para buscar na Justiça a liberação de espaços ocupados nos dois aeroportos por empresas falidas ou em recuperação judicial. A quinta medida sugere que seja apresentado um projeto de expansão dos terminais de passageiros, mas não estipula datas para sua execução.   Logo após o final da reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a Assessoria de Imprensa do da Ministério de Defesa divulgou que o conselho deliberou que seja instituído um comitê para acompanhar a redistribuição da malha aérea – uma das medidas adotadas pelo governo federal para tentar pôr um fim na crise aérea que o País vive há dez meses.   Na sexta-feira, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), havia sugerido que os dois aeroportos fossem utilizados para desafogar o movimento em Congonhas – que foi palco do maior acidente da aviação brasileira em 17 de julho, quando um Airbus A320 da TAM explodiu contra um prédio da TAM Express.   Outra sugestão apresentada por Serra na sexta-feira foi a utilização do Aeroporto Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí, para a implementação da aviação geral (aviões de pequeno porte e jatos executivos), também foi aprovada na reunião do Conac.   Participaram do encontro, segundo informação da Assessoria de Imprensa do ministério, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, da Casa Civil, Dilma Rousseff, da Justiça, Tarso Genro, das Relações Exteriores, Celso Amorim, da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, do Turismo, Marta Suplicy, e do Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República, Mangabeira Unger, além do ministro interino do Planejamento, Orçamento e Gestão, João Bernardo Bringel, e do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.   Demissão na Infraero   Apesar da confirmação de que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai mesmo demitir o presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura, brigadeiro José Carlos Pereira, o presidente da estatal, brigadeiro Jospe Carlos Pereira, acompanhou a reunião do Conac.   Cercado por jornalistas, Pereira negou que tivesse sido comunicado de sua demissão e reafirmou que não pretende renunciar ao cargo. Apesar de toda pressão e do vazamento da informação de que ele será substituído, ele disse que "a possibilidade de demissão está fora de questão". "Eu fui colocado aqui e preciso sair da mesma forma como fui colocado", disse.   Questionado se teme ficar marcado como culpado pela situação dos aeroportos, Pereira disse: "Ninguém deve ter medo de ser martirizado. Não há martírio. O que há são substituições normais." E acrescentou: "Tudo que entra, sai. Tudo que sobe, desce."   Apesar de não admitir que estaria sendo demitido, Pereira fez, em entrevista à imprensa, diversas observações sobre seu eventual substituto. Afirmou, por exemplo, que toda mudança implica em alguma diferença. "Quando se muda um gestor, a grande esperança é de que as coisas melhorem", comentou.   Questionado sobre qual deveria ser o perfil do novo presidente da Infraero - se, necessariamente deveria um especialista -, o brigadeiro respondeu: "Qualquer pessoa pode assumir a presidência de qualquer coisa. A responsabilidade é de quem nomeia e a consciência é de quem recebe (o cargo)."

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