Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Comunidade ainda está debaixo d'água

Em Rio Grande de Cima há pontos em que apenas os telhados estão aparentes; já são 20 mil desabrigados e desalojados na região

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2011 | 00h00

Doze dias após o temporal na região serrana do Rio, sete pequenas comunidades onde o nível da água não baixou ainda estão escondidas e isoladas. Em Rio Grande de Cima, na periferia de Nova Friburgo, há pontos em que só os telhados das casas estão aparentes e não há previsão de que o terreno volte a secar. Na região, o número de desalojados e desabrigados passou de 20 mil.

Os deslizamentos de terra e rochas mudaram a geografia a tal ponto que não há mais vias de escoamento para a água que se acumulou nos vales. Em alguns casos, cursos dos rios foram desviados e eles agora passam por locais onde antes moravam famílias. Como reverter esse cenário seria caro e trabalhoso, é provável que essas comunidades fiquem alagadas para sempre.

"Convocamos geólogos para entender o que aconteceu, mas pode ser preciso dar uma nova moradia a essas populações. Se as casas estão submersas, não há o que recuperar, e não podemos errar de novo, ao permitir que essas famílias voltem a viver ali", afirmou o vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão.

O alagamento de comunidades localizadas em vales também pode ter sido causado pelo acúmulo da terra dos deslizamentos no fundo dos rios. O assoreamento teria provocado um aumento do nível da água, o que provocaria inundações constantes nessas áreas.

Ainda não há uma estimativa do número de moradores afetados pelo fenômeno em Nova Friburgo, mas equipes de socorro acreditam que todos sobreviveram e conseguiram se abrigar em localidades próximas.

Apesar de terem resistido às inundações, algumas dessas áreas ainda estão isoladas por deslizamentos que interditaram parte das estradas. Áreas alagadas também foram registradas em São José do Vale do Rio Preto, um dos municípios mais castigados pelas chuvas.

Resgate. Equipes formadas por militares e paramédicos foram as primeiras a fazer contato com moradores das regiões inundadas. Apesar do terreno acidentado e do solo encharcado, helicópteros conseguiram pousar em áreas próximas, levando mantimentos e remédios para a população isolada.

Médicos e enfermeiras contam que a maior parte dos moradores já percebeu que não voltará a viver nas casas alagadas. "Eles caminham pela região e sabem como está a situação", explicou o médico Rodrigo Caselli, que participou de operações aéreas em helicóptero da Polícia Rodoviária Federal. "São comunidades que já não tinham muita estrutura, então é possível que voltem em breve para sua situação normal, que é de miséria."

Segundo a Defesa Civil, as sete localidades alagadas e isoladas até ontem são localizadas na periferia do município, a oeste e norte do centro da cidade, que também foi devastado pela tempestade. São elas: Rio Grande de Cima, Canjiquinha, Colonial 61, Vargem Alta, Ribeirão do Capitão, Três Picos e Córrego Frio. Moradores dessas comunidades já receberam alimentos, mas ainda precisarão de auxílio de equipes aéreas enquanto a passagem de veículos não for desbloqueada. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI

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