Comunidade africana no centro dá primeiros sinais de abertura

Pioneiros vieram em intercâmbios da USP; hoje, essa geração inova em tecnologias e até emprega paulistanos

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h03

A parede vermelha do restaurante camaronês ostenta o quadro com o mapa da África, no início da Alameda Barão de Limeira, nos Campos Elísios. As quadras que o cercam são um pouco de Angola, Namíbia, Nigéria e Tanzânia. É o ponto de encontro de dialetos diversos, de uma onda migratória que, por vontade própria, teve início nos anos 1970.

Foi um intercâmbio entre Brasil e África que trouxe alunos para estudar na USP. Lá, foram formadas as primeiras comunidades e começou o desafio da integração. Os jovens que hoje procuram o Brasil chegam em busca de trabalho. Parte deles, principalmente os da etnia igbo, da Nigéria, conseguem serviço como professores de inglês, por serem filhos de uma ex-colônia britânica e estarem familiarizados com o idioma. Tentam afastar o estigma de traficantes e, quando questionados sobre a generalização infeliz, dizem que em qualquer povo há bons e maus.

Os grupos ainda são bastante fechados. Mas há quem receba com sorriso aberto. "Quando escuto música do Brasil, sinto saudade da Nigéria", diz o farmacêutico Tajudeen Adebayo Ogunme, de 57 anos, 33 deles no Brasil. É a semelhança entre os ritmos que faz o homem da etnia iorubá lembrar de quando vivia em Lagos em busca de vaga em uma das cinco faculdades do país africano. "Era bem difícil."

Loção. Com o intercâmbio, foi na USP que encontrou guarida e realizou o sonho de criança, de misturar compostos químicos e criar algo diferente. Três décadas depois, Adebayo é dono de uma empresa de cosméticos. Um de seus maiores orgulhos foi ter desenvolvido de forma pioneira no Brasil a loção removedora para a cera de queratina.

Ele também se orgulha de empregar cinco brasileiros e de ter seus produtos reconhecidos no País. Casou com uma brasileira, hoje é viúvo, tem uma afilhada aqui e uma filha, formada em Economia, do outro lado do Oceano Atlântico. Na parede do escritório, a foto já esmaecida de um Adebayo ainda jovem surge na frente das Cataratas do Iguaçu. "Foi a minha primeira viagem pelo Brasil. É um lugar muito bonito." / W.C.

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