Polícia Militar
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Comparsa de Gegê do Mangue, Abel Vida Loka é condenado a 47 anos de prisão

Considerado o número 2 do PCC, Vida Loka foi condenado pela acusação de duplo assassinato e formação de quadrilha; comparsa havia pegado a mesma pena

Marco Antônio Carvalho e Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 22h14

SÃO PAULO - Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, considerado o número 2 na hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi condenado nesta quarta-feira, 3, pelos crimes de duplo assassinato e formação de quadrilha e foi sentenciado a uma pena de 47 anos, sete meses e 15 dias de prisão; ele já se encontra detido na Penitenciária Federal de Mossoró, onde cumpre penas por outros crimes. A pena foi similar a aplicada contra Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, também da cúpula da facção, pelo envolvimento no mesmo crime, durante julgamento no mês passado.

O júri popular se estendeu por 11 horas no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, e o réu teve oportunidade de se defender por meio de videoconferência; ele negou ter sido o responsável por ordenar a execução de duas pessoas desafetos da facção em 2004 no Rio Pequeno, zona oeste da capital. Os jurados, no entanto, não se convenceram da versão e o condenaram em todas as acusações sustentadas pelo Ministério Público. 

“Ele chegou a dizer que sequer fazia parte do PCC e que nunca tinha usado celular na cadeia. Faltou só negar também que tivesse nascido”, disse o promotor Rogério Leão Zagallo, que conduziu a acusação. “É um indivíduo de extrema periculosidade e cujas provas confirmavam o seu envolvimento naqueles crimes”, acrescentou.

O suspeito, segundo a acusação, foi um dos responsáveis por ordenar o assassinato de Nilton Fabiano dos Santos, o Midas, e de Rogério Rodrigues dos Santos, o Digue, em 5 de outubro de 2004, no Rio Pequeno. Interceptações telefônicas mostram Vida Loka e Gegê discutindo a execução do crime de dentro da cadeia.

“Minha sensação é de dever cumprido. Dificultamos ao máximo o seu retorno ao convívio social, o que seria um retorno pernicioso. Presos, eles passaram anos praticando crimes por meio do celular. Soltos, então, representariam um risco enorme dada sua rotina voltada para o banditismo”, disse Zagallo. 

Em abril, Gegê do Mangue também havia sido condenado a 47 anos de prisão no mesmo processo. Ele, no entanto, foi solto duas semanas antes da realização do júri e, com o novo mandado de prisão expedido, não foi mais encontrado pela polícia, agora sendo considerado foragido da Justiça. 

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