Preserve Pompeia
Preserve Pompeia

Como salvar as antigas casas da Pompeia?

Na tentativa de preservar a qualidade de vida e a história do bairro, grupo tenta conter o avanço dos novos condomínios

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 23h15

Os vestígios de história da Pompeia estão ameaçados. A região, que nos anos 40 e 50 recebeu algumas das primeiras vilas de São Paulo, como a Francesa e o Jardim Anhanguera, e que teve sua arquitetura influenciada pelo jeito de morar dos imigrantes, está perdendo suas características originais para dar lugar a condomínios. Aos poucos, os casarões antigos e as casinhas de portão de ferro baixinho, quintal e jardim de inverno dão lugar a prédios modernos e varandinhas gourmet. Na tentativa de evitar essa descaracterização, um grupo trabalha desde 2012 para proteger o que resta da identidade desse tradicional bairro paulistano. A ideia é evitar que imóveis típicos sejam derrubados.

O Preserva Vila Pompeia reúne moradores do bairro contra a verticalização que transforma a paisagem e aumenta o número de moradores da região. O impacto costuma ser negativo na dinâmica das ruas, do sossego, na tensão do trânsito e dos espaços públicos. 

Cláudia Carminati, uma das fundadoras do Preserve Vila Pompeia, conta que o grupo se inspirou em uma passeata realizada em Pinheiros. Era um protesto contra a demolição de uma casa da rua João Moura – ainda que protegida por uma liminar, ela veio abaixo de madrugada. “Moradores da Pompeia resolveram se unir para que algo semelhante não acontecesse aqui.”

O grupo enviou ao Departamento de Patrimônio Histórico, no final de 2012, um documento com todas as casas históricas do bairro catalogadas, com foto e endereço, para tentar que fossem protegidas. Até hoje não obteve resposta.

“Muitas vilas residenciais já foram destruídas e deram lugar a prédios. Mas algumas poucas ainda sobrevivem e possuem portões na entrada. Além delas, muitas outras casas antigas correm o risco de desaparecer a qualquer momento porque as construtoras não se importam com patrimônios históricos e culturais nem com a vegetação existente”, afirma Cláudia.

Entre as casas que ainda permanecem de pé estão as do Jardim Anhanguera, projetado nos anos 40 por Artacho Jurado. A Avenida Pompeia também reúne alguns exemplares, como nos números 929 e 972, onde funciona um buffet. Das pioneiras indústrias instaladas na Pompeia nos anos 20, ainda é possível ver as chaminés na Casa das Caldeiras, na Avenida Francisco Matarazzo. O emblemático prédio do Sesc Pompeia também é uma antiga fábrica reutilizada.

“Nos últimos anos a verticalização cresceu desenfreadamente e piorou muito a vida dos moradores. Foram diversos prédios construídos e muitos imóveis antigos destruídos”, lamenta Claudia. Uma rápida pesquisa e portais imobiliários devolve como resultado uma profusão de apartamentos novos na região. Os preços variam entre os R$ 500 mil e o R$ 1,3 milhão.

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