'Como podem embargar uma obra pronta?'

ESPECIAL PARA O ESTADO

Felipe Tau e Cida Alves, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2011 | 00h00

O ritmo continuava inalterado ontem nos canteiros de obras que foram embargadas. Em um edifício comercial na Rua Diogo de Faria, por exemplo, na Vila Mariana, zona sul, um engenheiro chegou a afirmar que a construtora já sabia que haveria o embargo. Em um site que divulga um prédio de 20 andares na Mooca, na zona leste, a construtora manteve até ontem à noite o anúncio de "obras aceleradas".

Em um edifício de Perdizes, na zona oeste, quase todos os apartamentos já estão ocupados, e na porta há placas anunciando unidades à venda ou para alugar. "Essa obra foi entregue há um ano. Até agora a construtora não nos disse nada sobre embargos", contou Marco dos Santos, um dos moradores. Ainda há homens trabalhando no hall de entrada.

Em outro prédio residencial no mesmo bairro, o síndico Donato Ricarddi Potenza, de 46 anos, só tomou conhecimento de que seu edifício estava na lista de obras realizadas por construtoras envolvidas em fraudes após ser procurado pela reportagem. O motivo do espanto se deu pelo prédio estar, segundo ele, 90% ocupado, além de ter sido entregue em julho de 2010. "Não consigo entender como vão embargar uma obra pronta e com gente morando."

"A notícia é muito séria. O que vai acontecer agora, vamos ter de sair?", indaga a moradora Érica Moreira, de 46 anos. "Vou entrar em contato com os administradores, não dá para entender uma coisa dessas."

Potenza pagou R$ 192 mil pela unidade. Hoje, segundo ele, um apartamento no prédio - com 12 andares e 48 unidades - estaria valendo R$ 500 mil. Seu receio é de que possa haver desvalorização. "A decisão da Prefeitura de divulgar os endereços dos prédios é prejudicial para a gente. Vou entrar em contato com os administradores. Nós somos as vítimas, não temos nada a ver com isso."

Hospital. Na lista de embargos consta ainda o Hospital Villa-Lobos, na Mooca, zona leste da capital, mas a direção não se mostra preocupada. "Não consideramos a possibilidade de interdição. Os únicos prejudicados seriam os pacientes", disse Celso Campello Júnior, gerente de Comunicação do grupo Inal, responsável pela unidade. "Não vai acontecer nada. O direito dos pacientes tem de prevalecer sobre a punição do infrator", afirmou o empresário Antonio Montouro, de 66 anos, que foi ao local remover uma pedra do rim.

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