Comitê quer reduzir vazão no Sistema Cantareira

Grupo que monitora a estiagem no reservatório também defende medidas de restrição do consumo; seca pode ter provocado morte de peixes

Fabio Leite e José Maria Tomazela / SOROCABA, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2014 | 02h03

O comitê anticrise que monitora a estiagem no Sistema Cantareira deve recomendar a redução das vazões de água para abastecer tanto a região de Campinas quanto a Grande São Paulo e sugerir mais medidas de restrição do consumo, como sobretaxar o volume gasto acima da média, a exemplo do que aconteceu na crise do apagão, em 2001. Mesmo assim, o racionamento não está descartado.

O documento conjunto deve ser apresentado até amanhã para a Agência Nacional de Águas (ANA) e para o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que publicarão uma portaria com as determinações. Segundo o Estado apurou, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) deve ter um prazo para se adaptar ao novo cenário, de modo a tentar evitar o racionamento de água generalizado.

Ontem, o volume de água do Cantareira caiu para 19,1% da capacidade, o nível mais baixo da história. Mesmo assim, a Sabesp continuava captando 31 mil litros por segundo, e as bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, 3 mil litros. Em janeiro, por exemplo, a vazão média de entrada no manancial foi de 15,4 mil litros.

Segundo projeções feitas pelo governo, o volume útil do Cantareira se esgotaria em agosto no atual cenário.

Por isso, a Sabesp deve apresentar ainda um plano para captar água do chamado "volume morto" do manancial (fundo dos reservatórios), pensando no abastecimento durante o período de seca do meio do ano. A medida, que depende da instalação de bombas flutuantes, contudo, pode levar meses para entrar em operação.

Seca. Ontem, milhares de peixes mortos, entre os quais lambaris e tilápias, se acumulavam nas margens do Rio Piracicaba, na região urbana. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a mortandade pode estar relacionada ao baixo nível do rio, em razão da falta de chuvas. O rio está com a mais baixa vazão dos últimos 50 anos no verão.

As nascentes dele fornecem água para o Sistema Cantareira, que abastece 47% da Grande São Paulo. Ontem, o governo estadual publicou editais declarando de utilidade pública áreas dos municípios de Amparo e Pedreira para a construção de duas barragens de apoio ao Cantareira.

Em Itapeva (MG), moradores estão sendo obrigados a dividir a água com o gado por causa da estiagem. O motivo é o baixo nível do Rio Camanducaia, que também abastece o Cantareira. "Tem de dividir com os bichos para ninguém ficar sem água", contou o produtor rural Braz Maciel. / COLABOROU RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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