Comitê que monitora crise do Cantareira é prorrogado até o fim de outubro de 2015

Grupo técnico liderado pelos órgãos gestores do manancial é responsável por acompanhar a estiagem nas represas e recomendar medidas de contingência

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2014 | 18h16

SÃO PAULO - Criado há seis meses para monitorar a seca histórica do Sistema Cantareira, o comitê anticrise liderado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) foi prorrogado até 31 de outubro de 2015. A decisão indica que os órgãos gestores do maior manancial paulista não vislumbram a recuperação das represas logo após o próximo período chuvoso, entre outubro e março do ano que vem.

No mês passado, ANA e DAEE já haviam prorrogado até 31 de outubro de 2015 a outorga de 2004 que permite a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) retirar até 31 mil litros por segundo do Cantareira para abastecer 47% da Grande São Paulo. Os prazos de vigência da outorga e do comitê anticrise venceriam neste mês. As medidas ocorrem em meio a maior crise de estiagem do sistema em 84 anos de monitoramento.

A ANA afirma que a prorrogação do grupo técnico "considera a atípica situação de escassez de chuvas no Sudeste entre janeiro e julho" e que "este contexto climático tem resultado em vazões inferiores aos menores valores observados no histórico de monitoramento da bacia do rio Piracicaba, onde estão os principais reservatórios de regularização de vazões do Sistema Cantareira".

O comitê anticrise é responsável por monitorar a situação dos cinco reservatórios que formam o Cantareira e recomendar medidas aos órgãos gestores, como a redução do volume de água captada pela Sabesp ou liberada para a região de Campinas. Além da ANA e do DAEE, também fazem parte do grupo técnico a Sabesp e os comitês das bacias hidrográficas do Alto Tietê e dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Nesta segunda-feira, 4, o boletim diário do comitê anticrise indica que restam hoje no manancial 145,5 bilhões de litros da primeira parte do volume morto do Cantareira, o equivalente a 14,9% da capacidade do sistema. Segundo cálculos feitos pelo grupo, essa reserva deve acabar até o fim de outubro deste ano. Os técnicos do comitê discutem a possibilidade de usar mais uma cota da reserva profunda das represas, entre 105 e 116 bilhões de litros.

Segundo o Estado apurou, esse volume adicional seria suficiente para garantir o abastecimento até o fim do ano, caso o volume de chuvas continue abaixo dos piores índices já registrados. A Sabesp afirma que essa segunda reserva só será utilizada se necessário e que o volume de água disponível nos seis sistemas produtores da Grande São Paulo é suficiente para manter o abastecimento sem adoção do racionamento oficial até "meados de março".

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