Comércio teve prejuízo de R$ 500 milhões na BA

Turistas evitaram andar nas ruas e lojas de Salvador ficaram vazias; aulas só voltam dia 27

DIEGO ZANCHETTA , ENVIADO ESPECIAL , TIAGO DÉCIMO , SALVADOR, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h01

O comércio foi o setor mais atingido pela paralisação da polícia, que durou 12 dias. De acordo com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Bahia, o prejuízo acumulado pelo comércio no Estado passa dos R$ 500 milhões. E a situação só começou a se normalizar na sexta-feira. "O pior é que os maiores prejudicados foram os micro e pequenos empresários, proprietários de lojas populares de rua", diz o presidente da entidade, Antoine Tawil.

De acordo com ele, a necessidade de encerrar as atividades antes do anoitecer, para evitar assaltos e arrastões, e a forte queda na circulação de consumidores nos principais pontos de comércio popular das maiores cidades da Bahia são os principais responsáveis pelo prejuízo - que não leva em conta os arrombamentos e saques registrados nos primeiros dias da paralisação.

Na loja oficial do Olodum, no Pelourinho, em Salvador, mais da metade dos funcionários foi transferida para a segunda casa de vendas do grupo, que fica no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães. Logo no dia 1.º, o seguinte ao início da paralisação, o gerente Marcus Rodrigues, de 27 anos, sabia que turistas de cruzeiros atracados na cidade ficariam com medo de descer, conforme notícias sobre a violência na cidade se alastravam. O jeito foi focar no turista em local seguro e já de volta para casa.

"Nossa loja aqui no centro está passando o dia vazia, como vocês podem ver. O jeito foi colocar o pessoal para trabalhar dentro do aeroporto. Aqui as vendas diárias de até R$ 4 mil caíram para R$ 1.200. Os turistas de cruzeiros não estão mais descendo na cidade, isso é o que mais tem nos prejudicado", contou o gerente da Casa do Olodum, quase um ponto turístico na Bahia. A reportagem permaneceu mais de 30 minutos na loja, na tarde de sexta-feira, a sete dias do carnaval, sem que nenhum cliente levasse uma única peça.

Turistas ansiosos pelas festas do pré-carnaval baiano também tiveram de mudar a programação do passeio em Salvador na semana passada. A decepção que tomou conta da carioca Gisele Sampaio, webdesigner de 27 anos, assim que ela chegou na quarta-feira e viu as ruas da cidade vazias, só foi amenizada com a compra de um pacote de três dias nas praias de Morro de São Paulo, no litoral sul.

"Vou perder dois pré-carnavais, um com Ivete Sangalo e um com o (cantor) Tuca. Tinha um ensaio do Araketu que também foi cancelado. Já chorei muito, o jeito é conhecer um lugar diferente e bola pra frente", dizia anteontem a carioca, que adotou a mesma opção de dezenas de turistas, que trocaram as baladas de Salvador por passeios de dois dias em praias como Itacaré, Ilha de Boipeba e Arembepe.

Sem volta às aulas. Além do número reduzido de turistas, poucos pais foram às compras de material escolar, após o adiamento do início das aulas. Quem quebrou a regra foi o aposentado Jorge do Carmo Baptista, de 64 anos. Na quinta à tarde, ele comprava mochila, régua e caixa de lápis de cor para o neto do 4.º ano do ensino fundamental, enquanto os boatos de arrastão na Avenida 7 de Setembro se repetiam a cada 15 minutos.

"Sabe o que eu faço para ninguém reparar nas minhas compras? Coloco tudo em sacolinha de supermercado. O ladrão vai pensar que é só comida", confidenciou o morador da Armação. Na sexta-feira, a Secretaria da Educação divulgou uma nota oficial, informando que as aulas na rede municipal de Salvador só serão reiniciadas no dia 27 de fevereiro, mesmo com o fim da greve.

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