Comércio investe em novos serviços

Melhorias miram clientes de classe média alta

/A.F., N.C. e R.B., O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h04

A mudança de perfil do Jaguaré, que já foi uma área exclusivamente industrial, pode ser facilmente observada nas principais avenidas do bairro, como a Presidente Altino e a Corifeu de Azevedo Marques, onde pipocam lançamentos de alto padrão. São prédios de três ou quatro dormitórios, churrasqueira na varanda e preços salgados. Se o imóvel estiver na região da Vila São Francisco, por exemplo, o valor pode passar de R$ 1 milhão.

De olho nos clientes de classe média alta, muitos comerciantes investem em melhoria dos serviços. Antes simples, os salões de beleza, por exemplo, ganharam manobrista na porta. Padarias foram transformadas em empórios e mercados viraram "super". O empresário português Manuel Augusto Jesus Neto, de 72 anos, diz que as mudanças são reflexo da nova demanda. "Ampliamos o espaço e diversificamos os produtos. Hoje temos até uma adega para os vinhos", conta o proprietário do Supermercado Jaguaré.

Potencial. A virada nos negócios ocorreu há quatro anos e foi incentivada pelos filhos de Jesus Neto, que viram no mercadinho de bairro potencial para ser expandido. De lá para cá, a empresa familiar "cresceu para os lados" e ganhou visual de empório de bairro nobre.

Os clientes aprovam o investimento e comemoram o fato de não ter de virar refém de grandes redes de hipermercado, que já marcam território na região com "megastores". A representante comercial Rosana Favorin, de 48 anos, compra quase tudo o que precisa no mercado repaginado. "Agora, eles têm até um setor de produtos orgânicos e japoneses que é bem interessante. O espaço está mais sofisticado para atender a essa nova demanda. O bairro está ficando mais jovem, porque muitos casais têm sido atraídos por essa gama de lançamentos imobiliários. Acho que o comércio tem mesmo de se adaptar", diz Rosana, que mora no Jaguaré desde que nasceu.

Restaurantes, lojas e academias de grife também já desembarcaram no Jaguaré. Na Vila São Francisco, os moradores de condomínios de casa ou de prédios de alto padrão desfrutam de áreas verdes para caminhadas e contam até com minishopping. "Está tudo melhor. Só o trânsito é que piorou. Às vezes, fico 20 minutos só para atravessar a Ponte do Jaguaré. Esses acessos precisam ser revistos", diz Rosana.

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