Felipe Rau/Estadão
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Comércio fala em burocracia em São Paulo e atraso para retomada

Fecomercio teme que restrições de funcionamento atrapalhem a reabertura

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2020 | 05h00

A fala do prefeito Bruno Covas (PSDB) de que estabelecimentos comerciais não devem retornar à atividade exatamente no dia 1.º de junho pegou de surpresa representantes de comércios e serviços na cidade de São Paulo. Para entidades de classe, a exigência da Prefeitura para que cada setor apresente um protocolo de segurança contra o coronavírus - que ainda precisará passar por análise e aprovação antes de as lojas, de fato, voltarem a funcionar - vai "burocratizar" o processo e consequentemente atrasar a retomada econômica.

Representantes dos setores comerciais afirmam que haviam reagido com alívio à notícia da retomada gradual das atividades no Estado a partir de junho. Anunciado pelo governador João Doria (PSB) na última quarta-feira, 27, o plano de flexibilização da quarentena prevê que algumas cidades, incluindo a capital, podem reabrir com restrições o comércio de rua, shoppings centers, concessionárias, imobiliárias e escritórios.

Um dia depois do anúncio, no entanto, o prefeito Bruno Covas afirmou que, na verdade, a data estabelecida (1.º de junho) seria para a cidade de São Paulo começar a receber propostas de protocolos de cada setor - e não para reabrir as empresas. "Recebemos um sinal trocado. Em um dia, o governador fala que a vida recomeçaria na segunda, mesmo com algumas restrições. No dia seguinte, o prefeito fala outra coisa", afirma Francisco de la Tôrre, vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).

Para De la Tôrre, a flexibilização do governo estadual é um "alento", na medida em que permite que as empresas possam planejar a retomada de forma controlada. Por outro lado, ele avalia que as exigências específicas para a cidade de São Paulo "frustraram o setor" e criam novos obstáculos.

"Já existiam protocolos de serviços essenciais que continuaram funcionando, como farmácias e supermercados. Por que apresentar uma nova solução?", questiona. Segundo afirma, a Fecomercio-SP quer que gestão municipal aceite uma proposta única para todo setor varejista e consiga fazer a análise já na segunda-feira, dia 1.º. "Há centenas de entidades representativas dos setores. Se cada uma apresentar um protocolo, a Prefeitura não tem estrutura para analisar tudo."

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