Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Comerciantes temem novos protestos às vésperas da Copa

Dono de bar e restaurante na Consolação desistiu de abrir durante o Mundial; Associação Comercial de São Paulo orienta comerciantes a fechar as portas no primeiro 'sinal de bagunça'

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 13h18

Atualizada às 22h18

SÃO PAULO - Comerciantes de estabelecimentos que ficam na Rua da Consolação, no centro de São Paulo, temem novos protestos com depredações às vésperas da Copa do Mundo. Na noite desta quinta-feira, 15, pelo menos três agências bancárias e uma concessionária foram depredadas durante uma manifestação que começou de forma pacífica e reuniu cerca de 1,7 mil pessoas contra o Mundial na região da Paulista.

Dono de um bar e restaurante na Rua da Consolação, Vanilson Jorge, de 44 anos, desistiu de decorar o local e promover eventos durante os jogos da Copa. "A gente estava pensando em decorar todo o restaurante e até alugar um telão, mas infelizmente não nos sentimos seguros para abrir. Certamente fecharemos durante a Copa", disse o proprietário. Ele contou que, ao saber do protesto, fechou as portas às 16h. "Só picharam a parede. Já perdi a conta de quantas vezes tive de limpar pichações depois de protestos." Fora, em lilás, estava escrito "Não vai ter Copa".

A poucas quadras dali, o gerente de uma loja de lustres mostrava a grade de ferro que foi colocada na frente do vidro do estabelecimento para evitar o quebra-quebra. Normalmente, ela é posta em dias de protesto e retirada depois, mas, desta vez, não deve sair tão cedo. "Colocamos a grade e só vamos tirar depois da Copa", disse o gerente Donizete Moreira, de 58 anos.

Na manhã desta sexta, funcionários da concessionária Hyundai que foi quebrada e pichada por manifestantes ainda trabalhavam na limpeza do local. Três carros tiveram os vidros quebrados e as laterais amassadas, incluindo um Santa Fé que custa, segundo um funcionário, entre R$ 175 mil e R$ 184 mil. Nenhum responsável pela agência quis falar.

Confiança. Para Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio vive um cenário de incerteza. "O mercado funciona na base da confiança. O comerciante compra o estoque ou faz uma mudança na fachada porque confia que terá retorno. Mas, em situações como essa (de manifestações), não se confia mais", afirma.

Detidos. Durante a manifestação, oito pessoas foram detidas e um adolescente foi apreendido.Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o menor é acusado de danificar uma agência bancária e foi encaminhado para a Fundação Casa. Os oito detidos foram levados para o 78°DP (Jardins) e liberados em seguida. Três deles tiveram de assinar um Termo Circunstanciado de desacato.

 

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