Comerciantes da Ceagesp entram na Justiça contra tarifa de estacionamento

Nesta sexta-feira, a Companhia de Entrepostos e Armazéns de São Paulo anunciou que ainda não há uma data definida para início da cobrança

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2014 | 18h29

Atualizada às 20h15

 

SÃO PAULO - Um grupo de comerciantes da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) foi à Justiça contra a estatal e a Companhia de Concessões em Circulação Veicular (C3V) para impedir a cobrança de tarifas de estacionamento e acesso de veículos e caminhões no local. As ações populares também pedem que a Prefeitura de São Paulo impeça qualquer tipo de obra ou bloqueio em 62 vias na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, usadas pelo entreposto e que terão o acesso controlado pela concessionária.

 

A área pública foi cedida à Ceagesp por um decreto de 1985. Os autores das ações entraram com os processos em outubro e entendem que a transferência das áreas municipais não permite a restrição de circulação dos veículos na região. Segundo a ação, a concessionária não teria nem mesmo o direito de instalar as cancelas no meio das ruas.Em nota, a Prefeitura afirma que avaliará "a natureza jurídica da área em questão".

 

Nesta sexta-feira, 31, após uma reunião entre donos de boxes, feirantes e caminhoneiros, a Ceagesp anunciou que ainda não há uma data para a cobrança de tarifa de acesso ao local. A expectativa dos comerciantes era que o pagamento fosse implantado a partir do dia 1ª, o que eles não desejavam.

Os valores já foram divulgados nesta semana e provocaram reação negativa de empresários e autônomos que usam os espaço para fornecer mercadorias na Capital. Pela tabela de preços, a permanência de automóveis e utilitários por uma hora será de R$ 6. A taxa aumenta progressivamente até R$ 50, acima de 10 horas. Motos pagam uma diária de R$ 2. Caminhões de 2 eixos terão tarifa de R$ 4 para até 4 horas, com o máximo de R$ 50 acima de 10 horas. As tarifas de caminhões de três a seis eixos começam em R$ 5, para 4 horas, e vão até R$ 60, acima de 10 horas.

A Ceagesp afirma que ainda está em fase de implantação o novo sistema de cancelas que vai controlar o tempo de permanência dos usuários no entreposto, junto com a concessionária Companhia de Concessões em Circulação Veicular (C3V), que ganhou a licitação para administrar a segurança e movimentação de automóveis e caminhões nos armazéns. Por dia, o Ceagesp recebe até 12 mil veículos, com um fluxo de 50 mil pessoas.

Reclamações. O Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp) reclama que a instalação de um anel viário interno pela concessionária dificultou a movimentação de caminhões. "Ficamos até duas horas dando voltas e voltas", diz o presidente da entidade José Luíz Batista. "Esse é projeto para uma grande cidade, não para um condomínio (como o Ceagesp)".

Entre as queixas, também estão a falta de treinamento dos funcionários que orientam o fluxo de veículos no anel, o que tem tornado a entrada e saída mais complicada, segundo o sindicato. Para os permissionários (donos de boxes), os empresários e caminhoneiros estavam acostumados com uma rotina de circulação dentro do Ceagesp e ainda não conseguiram se adaptar.

Os feirantes do varejo temem também a queda de movimento no sábado e no domingo, com a cobrança pelo estacionamento e mais filas na entrada. Segundo os vendedores, houve redução na clientela já no final de semana passado, quando foram feitos testes com o novo sistema, sem cobrança.

A Ceagesp, em nota, disse que " a operação que entrou em vigor sábado passado tem entre seus objetivos o de detectar eventuais falhas para serem corrigidas a tempo. A Ceagesp está atenta a esses contratempos e quando a operação ultrapassar a fase de testes todos os problemas serão corrigidos".

Segundo a companhia, o trânsito interno nos armazéns apresentou sensível melhora depois da implantação do anel viário, com diminuição de filas de veículos. "Ocorre que em horários e dias de picos (segundas-feiras e sextas-feiras pela manhã) como há muita procura pelo entreposto, ainda há filas", afirmou a nota. A Prefeitura de São Paulo não se manifestou até a tarde desta sexta-feira.

Outro lado. Em nota, a C3V (Companhia de Concessões em Circulação Veicular) informou que não tem conhecimento de nenhuma ação em que seja ré. "A C3V ressalta que está cumprindo os investimentos privados previstos em contrato, da ordem de R$ 25 milhões, que vão permitir a melhoria da infraestrutura da Ceagesp sem nenhum gasto de dinheiro público."

Ainda de acordo com a C3V, "as mudanças na circulação viária vão facilitar o trabalho de carga e descarga e reduzir o tempo de permanência dos veículos no entreposto, beneficiando o tráfego interno e também o externo".

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