Comerciantes bancam reformas no setor de melancias

Área é a mais prejudicada durante as enchentes; vendedores recuperaram asfalto e agora investem em iluminação

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

03 Março 2011 | 00h00

Com as laterais vazadas, o pavilhão MLP não é protegido contra chuvas. Mas nada que se compare à área onde ficam as frutas, especialmente o setor de melancias. Em uma parte mais baixa e bem mais perto da confluência dos Rios Tietê e Pinheiros, o alagamento todo verão é certo - a cena das melancias estragadas no chão também. "Quem menos tem prejuízo aqui perde R$ 20 mil, R$ 30 mil a cada chuva. Molhou, já era, não pode mais vender", diz o comerciante Moacyr Fernandes da Silva, que, como os outros, só tem o chão para empilhar suas melancias.

Para os vendedores, o ideal seria um "primeiro andar". "Tem de construir uma plataforma de pelo menos um metro para a gente, igual ao resto das frutas", sugere José João de Souza, o Jatobá, também das melancias. A comparação com o resto da feira de frutas é inevitável: todos, exceto os da melancia, têm lojinhas em um piso elevado.

Enquanto uma grande reforma no armazém das melancias não entra na pauta da Ceagesp, os próprios locatários tocam projetos de melhoria que consideram urgentes. "Nós tomamos a iniciativa de, paulatinamente, reformar isso aqui. Começamos recapeando as ruas ao redor e agora vamos para a iluminação", conta o comerciante Maurício Frasca. Eles formaram uma comissão e, com o dinheiro conseguido via rateio, estão substituindo os fios de alta tensão antigos por cabos de alumínio, mais resistentes.

A proposta antiga de mudar o entreposto para o Trecho Oeste do Rodoanel, hoje descartada pela administração, ainda é lembrada como solução definitiva para o problema de enchentes. "A mudança prestaria o grande serviço de tirar os caminhões de São Paulo", afirma Maurício Frasca. "Isso aqui (a localização atual) daria um excelente piscinão. O maior da cidade."

PONTOS-CHAVE

Mudança

Desde que passou para a União que a Ceagesp está "de mudança". Nos últimos anos, a ida para o Rodoanel foi deixada de lado e a localização atual considerada "privilegiada".

Flores

Em 2007, a SPTuris anunciou a construção de um mercado exclusivo de flores em uma área de 70 mil metros na frente da Ceagesp. A CPTM, dona do terreno, desistiu do negócio.

Inquérito

Em outubro, o Ministério Público Estadual exigiu reforma imediata ou interdição do pavilhão das flores. A Ceagesp afirmou que não havia risco iminente de queda.

Chuvas

A chuva do dia 10 de janeiro inundou o setor de melancias. Vendedores relataram prejuízos de até R$ 30 mil, mas a companhia afirmou que "apenas 20%" das melancias foram perdidas.

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