Comerciante resolve financiar festa de criminosos e acaba sequestrado

Cansado de ser vítima de bandidos e ter seu imóvel assaltado, homem se interessou pela proposta de criminosos de bancar uma festa para a quadrilha e receberia, em troca, segurança e o término dos assaltos

Ricardo Valota do estadão.com.br,

03 Dezembro 2010 | 04h20

SÃO PAULO - Um oriental, de 34 anos, dono de um depósito de materiais para construção, e dois funcionários dele, com idades entre 20 e 22 anos, foram soltos, por policiais militares da Fora Tática do 37º Batalhão, às 19h30 de quinta-feira, 2, de um cativeiro montado no imóvel da rua Vital Rifardo, no Jardim das Rosas, região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, após passarem cerca de 24 horas em poder de sequestradores.

 

Cansado de ser assaltado, o comerciante se interessou pela proposta de alguns bandidos, que residem na mesma favela, de bancar uma festa para a quadrilha em troca de segurança e término dos assaltos. Um dos funcionários então foi até a favela para negociar com os criminosos e ficou retido. O comerciante então foi contactado pelos criminosos, que exigiam a presença dele no local para acertar os detalhes.

 

Passavam das 18 horas de quarta-feira, 1, quando a vítima fechou o comércio e de carro, ao lado do outro funcionário, foi até um conjunto habitacional do CDHU para conversar com os criminosos. Lá o oriental e o empregado acabaram sendo reféns também dos bandidos, que então entraram em contato com o irmão do comerciante afirmando que iriam soltá-lo até as 20 horas após acertarem os detalhes do valor da festa.

 

As horas se passaram e nenhuma das vítimas foi solta, forçando os parentes do comerciante a procurar o plantão do 47º Distrito Policial, do Capão Redondo, mas foi uma denúncia anônima que levou os policiais, um pouco menos de 24 horas depois, até o cativeiro. Um dos bandidos, ao perceber a chegada da PM, estourou o vidro de um dos cômodos da casa e fugiu. O outro, identificado como Caíque Pereira dos Santos, de 22 anos, foi detido com um facão.

 

Segundo os policiais, o que seria apenas uma reunião de negociação entre bandidos e as vítimas de extorsão acabou se transformando em sequestro. Os criminosos, que durante todo o tempo exibiam armas de fogo, já haviam decidido que iriam ligar novamente para os parentes do comerciante e exigir pelo menos R$ 30 mil para soltá-lo. Segundo relato das vítimas, pelo menos cinco homens estariam envolvidos no sequestro. No cativeiro, ao mesmo tempo em que assistiam ao consumo constante de drogas as vítimas eram ameaçadas de morte.

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