Comerciante é preso por matar dois assaltantes

Para delegado, houve 'reação excessiva' de dono de loja de informática roubada na quarta em Cidade Dutra

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h07

O comerciante Jeferson Fiuza de Moraes, de 28 anos, foi preso na quarta-feira depois de matar dois assaltantes que tentaram roubar sua loja de informática na Cidade Dutra, zona sul de São Paulo. O delegado responsável pelo caso, Altamir Galdino, colocou em dúvida a tese de legítima defesa, diante de indícios de uma reação excessiva por parte de Moraes.

O assalto aconteceu por volta das 18 horas na Rua Valter Marrany Ribeiro. Adriano Francisco Santiago, de 25 anos, e um adolescente de 17 invadiram a loja de produtos de informática pouco antes do fechamento e anunciaram o assalto. Os ladrões fizeram reféns Moraes e sua funcionária, Franciele Santos Silva, de 19 anos. Os dois foram mantidos em um banheiro nos fundos do estabelecimento, enquanto os ladrões pegavam produtos.

Segundo o comerciante, os ladrões faziam ameaças de morte, dizendo que ele e a funcionária seriam mortos se não oferecessem mais dinheiro. Moraes disse que lembrou de uma pistola Glock 380 guardada em uma mochila no banheiro e, com medo de morrer, decidiu reagir.

Ele faz curso de tiro e usa a arma em instruções. Iria para o clube logo depois de sair da loja.

O comerciante saiu do banheiro e disse que Santiago fez um disparo com um revólver calibre 32, que não o atingiu. Ele então atingiu o ladrão com cinco tiros, no braço direito, lado esquerdo da cabeça, perna direita e dois na coxa direita.

Segundo Moraes, o adolescente colocou a mão na cintura, como se estivesse armado, e por isso também foi atingido, com três tiros, na perna, no abdômen e nas costas. Ele já estava do lado de fora da loja e caiu na calçada. Os dois ladrões foram levados ao Pronto-Socorro do Grajaú, onde morreram.

O adolescente não estava armado. Com ele foram encontrados R$ 111, provavelmente roubados da loja.

Para o delegado, não ficou claro que o comerciante tenha tentado apenas se defender. "Quanto à possibilidade do reconhecimento da legítima defesa, submeto à apreciação do Poder Judiciário, ouvindo representante do Ministério Público."

Mulher de Moraes, a comerciante Rafaela Cândido Moraes, de 22 anos, disse que está chocada com tudo o que aconteceu e jamais imaginaria que o marido seria preso por matar os assaltantes. "Ele esperou a chegada da polícia, apresentou a arma, prestou depoimento. Foi pego de surpresa com a prisão."

Até as 20h de ontem, Moraes estava preso na carceragem do 101.º DP (Jardim das Embuias). "Ele não é bandido", disse Rafaela. Segundo vizinhos, a loja foi assaltada oito vezes em três anos.

Legitimidade. Delegado titular do 98.º DP, Roberto Tadeu Sampaio Lopes saiu em defesa do colega que registrou o caso durante o plantão. Ele afirmou que há indícios de que possa ter ocorrido um "excesso doloso", uma reação desproporcional. "Pela forma como os corpos foram encontrados, o local dos tiros e o número de disparos efetuados, ele agiu corretamente, dentro de sua visão legalista."

Segundo Lopes, não há nada a reprovar na forma com que Galdino registrou o caso. "Pode causar uma desaprovação, mas são decisões tomadas por pessoas formadas em Direito, íntegras, que estão aqui desenvolvendo suas atividades da melhor forma."

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