Comerciante de Moema diz que vai desistir após aumento do IPTU

Dono de mercado terá de pagar R$ 2 mil a mais

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2013 | 02h06

O comerciante Claudio Bortolin, de 62 anos, acordou ontem fazendo as contas para ter ideia de quanto terá de desembolsar em 2014 para pagar o IPTU do pequeno mercado que mantém há mais de 30 anos no Planalto Paulista, região de Moema, zona sul da capital. "Aqui, vamos pagar o teto, de 35%. Isso vai representar cerca de R$ 2 mil a mais, só no ano que vem. É muito pesado para mim, representa o que pago para dois funcionários no mês", disse.

Desanimado com tanto imposto para pagar, Bortolin diz que vai desistir da profissão. "Secou a fonte, não tenho mais de onde tirar. Os comerciantes estão em uma situação muito difícil em São Paulo. É muita coisa para a gente arcar", reclamou. Nas contas dele, o pagamento mensal vai passar de R$ 524 para R$ 707. "Isso sem falar dos aumentos em 2015, 2016 e por aí vai."

A insatisfação do setor pode culminar na apresentação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). É o que promete fazer a Associação Comercial de São Paulo. Ontem, a entidade considerou o aumento como um "golpe". Nas médias divulgadas pela Prefeitura, estabelecimentos comerciais da Sé, República, Brás, Santa Cecília e Consolação, por exemplo, terão as maiores altas do imposto em 2014.

Já na conta residencial, bairros de classe média e de classe média alta pagarão a conta mais salgada. A lista inclui Moema, Jardins, Pinheiros e Vila Mariana, onde o aumento será de 19,8%. Lá, os moradores se perguntavam ontem se o projeto aprovado pelos vereadores vai assegurar melhores serviços para a população.

"Moro aqui há mais de 60 anos. Sei que tudo aumenta e que os impostos dificilmente não seguem essa linha. O que queremos saber é como esse dinheiro extra será usado pelo governo. As pessoas vão ter mais Saúde, mais Educação, mais Transporte? É o que temos de acompanhar agora", alerta Elza Tanabi, de 87 anos.

A casa da aposentada fica na Rua Áurea, onde a valorização, segundo a nova Planta Genérica de Valores (PGV), passa dos 100%. "Já passei o imóvel para o nome dos meus filhos. Por causa disso, não tenho como usar o desconto que tem para aposentados", lamenta. /A.F.

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