Comerciante confessa que deu cotovelada em mulher em São Roque

Fernanda Santiago teve politraumatismo craniano; ela ainda apresenta sinais de perda de memória e dificuldades de cognição

Chico Siqueira, Especial para O Estado

11 de novembro de 2014 | 19h38

ARAÇATUBA - A Justiça Criminal de São Roque (SP) decidiu esperar por um laudo médico complementar antes de decidir se pronuncia o comerciante Anderson Lucio de Oliveira, 35 anos, por tentativa de homicídio contra a auxiliar de produção Fernanda Regina Cézar Santiago, 30 anos.

Oliveira, que está preso preventivamente, confessou, em audiência nesta terça-feira, 11, que agrediu a jovem, mas disse não se lembrar quais foram os motivos da cotovelada que desferiu na moça, na madrugada de 16 de agosto, em frente a um clube onde se realizava o baile de aniversário da cidade.

"Ele confessou ter agredido minha cliente com uma cotovelada, mas disse não saber os motivos dessa agressão. Disse apenas que tinha bebido algumas cervejas", contou o advogado Ademar Gomes, que defende Fernanda. "Além dele, foram ouvidas cinco testemunhas, que também confirmaram a agressão", completou.

Fernanda, que também compareceu ao fórum para ser ouvida, apresenta sinais de perda de memória e dificuldades de cognição, causados pela agressão. Ela ficou 15 dias internada, sete deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para se recuperar do politraumatismo craniano causado pela cotovelada de Oliveira. 

"Ela prestou depoimento, mas não conseguiu falar coisa com coisa, tamanha a sequela que ficou da agressão", disse o advogado. Fernanda também não conseguiu falar ao telefone com a reportagem, à qual foi confundida por ela com policiais. "Se vocês são polícia, então prendam os ladrões", disse, aparentando dificuldades na fala. 

"Minha irmã está toda atrapalhada, recebe acompanhamento de psicólogo, psiquiatra, neurologista, porque teve rompidas as ligações dos nervos cerebrais com a parte do cérebro responsável pela memorização", explicou o estudante de Direito Eduardo Cézar, irmão de Fernanda. 

Segundo ele, a família colocou uma pessoa para cuidar de Fernanda, que foi obrigada a abandonar o curso de graduação em gestão de qualidade. "Os médicos pediram para ela voltar a estudar, mas depois de duas semanas tivemos de baixar a matrícula porque ela não tem condições de entender as coisas", contou. "O pior é que os médicos dizem que essas sequelas podem durar para o resto da vida dela", afirmou. "Outro dia ela se cortou quando tentava fazer o almoço, por isso tivemos de colocar uma pessoa para morar e cuidar ela", completou.

Gomes disse que os depoimentos desta terça-feira, 11, reforçam a tese de acusação. "O que nós queremos é haja Justiça e para isso queremos que o juiz pronuncie o acusado por tentativas de homicídio e o leve a júri popular", afirmou. No entanto, antes que isso ocorra, a Juiz Flávio Roberto de Carvalho, que presidiu a audiência desta terça-feira, pretende analisar um novo laudo sobre as condições de saúde de Fernanda.

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