Comerciante bate boca com secretário em inauguração de ciclovia

Homem questionou Jilmar Tatto sobre estudo para implantação de equipamento para bicicletas e até mesmo sobre a escolha da cor

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Julho 2014 | 12h34

Atualizada às 22h59

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta sexta-feira, 18, mais 2,6 km de ciclovia no centro, completando 9,8 km de vias exclusivas para bicicletas entregues pela atual gestão, que espera alcançar a marca de 200 km até dezembro e 400 km, até 2016. Mas o plano já começa sob protestos.

Para alcançar a meta, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto (PT), deixou claro que não pretende evitar polêmicas, pelo contrário. Na entrega do trecho, Tatto chegou a discutir com um comerciante que reclamava da retirada de vagas na rua para estacionamento. “Existe uma agressão a quem trabalha”, reclamou Sebastião Juarez de Menezes, de 64 anos, proprietário de uma loja de veículos no cruzamento das Ruas Helvétia e Guaianases. Menezes questionou o secretário sobre a falta de diálogo. Recebeu como resposta o aviso de que todas as avenidas terão, em tese, ciclovias. “Está comunicado.”

Nesta sexta, a ciclovia do centro avançou pelas Alamedas Nothman, Eduardo Prado e Cleveland, além da Rua Guaianases. No próximo trecho, de 2 quilômetros, a ciclovia deve seguir pelas Avenidas Duque de Caxias e São João. 

Ciclistas. O professor José Alberto Pereira, de 42 anos, considerou positiva a mudança. "Vai ser ótimo para as bicicletas. Se continuar, posso ir até ao trabalho de bike", afirmou Pereira, que trabalha na Alameda Barros, em Higienópolis. Ele reclamou, no entanto, da remoção da vaga de deficiente na altura do número 1203 da rua Guaianases, onde mora. "Meu filho é deficiente e não colocaram sinalização do outro lado da rua. E agora?" questionou.
 
Outro que aprovou a medida foi o servidor público Otávio José da Silva, de 44 anos. Para ele, faltam ainda mais ações dos governos para incentivar o uso de bicicletas como meio de transporte. "O imposto para comprar bike é alto e falta dar continuidade a essas faixas", argumentou. O ponto negativo, questionou, é a proximidade com a Cracolândia. "Deviam abrigar essas pessoas em outro lugar, não deixar na rua". 
 
O funileiro Giovani dos Santos Vieira, de 45 anos, vai usar o novo equipamento para trabalhar, mas acha que o trânsito deve sofrer na região do centro. Ele já usava bicicleta para comprar peças antes do sistema. "Agora o ciclista vai andar mais rápido e seguro". 

Abaixo-assinado. A Associação de Moradores dos Campos Elísios informou que já começou a receber reclamações. A entidade disse que vai aguardar alguns dias para decidir se toma alguma medida, como a promoção de um abaixo-assinado. Uma das entusiastas da ideia, a comerciante Vanice Amorim disse que o prédio onde mora não dispõe de estacionamento e o uso de táxis foi dificultado, pois não há parada. “Se fizerem (o abaixo-assinado), estarei dentro.” / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

" STYLE="FLOAT: LEFT; MARGIN: 10PX 10PX 10PX 0PX;

Mais conteúdo sobre:
São Paulo Jilmar Tatto Ciclovias

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.