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Elize armou emboscada para matar Matsunaga, diz investigador de polícia

Responsável por analisar e editar o vídeo com as imagens das câmeras de segurança do prédio do casal, Fábio Luís Ribeiro prestou depoimento

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 09h56
Atualizado 30 Novembro 2016 | 12h16

SÃO PAULO - Começou o terceiro dia do júri de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o ex-marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, em 2012. Ainda na fase de escuta das testemunhas de acusação, o investigador de polícia Fábio Luís Ribeiro prestou depoimento na manhã desta quarta-feira, 30, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Foi o policial quem analisou e editou o vídeo com as imagens de câmeras de segurança do prédio onde o casal morava.

O investigador falou por pouco mais de uma hora. Segundo afirmou, as equipes de investigação do DHPP, composta por dez policiais civis, concluíram que Elize armou uma emboscada e atirou assim que Marcos entrou no apartamento trazendo a pizza, a distância de centímetros da vítima.

"O orifício do disparo apresentava marcas de chamuscamento, que só ocorre quando o tiro é dado a curta distância", afirmou.

Para a acusação, trata-se de um elemento importante para mostrar que Marcos não teve chance de se defender.

Usando a planta do apartamento, a defesa contestou a versão do policial, que não soube informar de que local Elize fez o disparo. Os advogados da ré também tentaram mostrar aos jurados que o policial não domina conceitos de Polícia Científica e, por isso, não poderia afirmar sobre a distância do tiro.

Outra estratégia da defesa é mostrar que Elize contribuiu nas investigações e que o crime só foi realmente esclarecido após a confissão da ré. Questionado pelo advogado Luciano Santoro, Ribeiro confirmou que a polícia só teve "certeza sobre as investigações" quando Elize assumiu a autoria.

Gravações. As gravações mostram o momento em que Elize, o marido, a filha e a babá chegam ao prédio, ao voltar de viagem para o Paraná no dia 19 de maio, um sábado. Depois, Marcos desce de elevador e volta com uma pizza na mão. "Foi a última vez que ele apareceu", disse Ribeiro, que atuava no  Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Ele contou que, na sequência, a ré desce com três malas, onde estavam as partes do corpo do marido no domingo de manhã e só retorna no final da tarde.

Irmão. Nesta terça-feira, 29, o empresário Mauro Kitano Matsunaga, irmão de Marcos Matsunaga, falou por pouco mais de duas horas, em um dos depoimentos mais aguardados do júri. "Ele era meu único irmão. Eu falo para os meus filhos cuidarem muito bem um do outro, porque é muito duro perder um irmão", disse, sem conseguir conter o pranto.

À Justiça, o irmão da vítima declarou que nunca percebeu brigas entre o casal. Segundo relato, viagens e presentes caros eram comuns. "Usava mais o dinheiro dele com ela do que com ele", afirmou Mauro. "Ele endeusava Elize. Colocava ela em outro patamar."

Segundo Mauro, o irmão nunca contou à família que a ré era de origem humilde e nem que havia sido garota de programa. "Acredito que por proteção", afirmou.

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