Começa punição a moto na pista expressa, mas só em 2/3 da via

Prefeitura afirma que proibição só vale onde existe pista intermediária. Marronzinhos têm [br]dificuldade em fiscalizar

Bruno Ribeiro, Renato Machado e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

As multas para as motos que trafegam na pista expressa da Marginal do Tietê começaram ontem com um terço da via fora da proibição, além de falhas de sinalização e fiscalização. A Prefeitura de São Paulo excluiu da regra os trechos nos quais não há pistas intermediárias ou elas estão em obras. A falta de placas fez com que muitos motociclistas não soubessem dessa "exceção".

Ficou liberado o tráfego de motos nas pistas expressas entre a Pontes da Casa Verde e das Bandeiras e da Rodovia Ayrton Senna à Ponte do Tatuapé. Esses trechos totalizam 7,2 quilômetros em cada sentido, mas ficou difícil identificar em que ponto a regra deixava de valer.

"O pessoal vem nesse trecho que está liberado e, sem nem entender, já cai no trecho proibido e corre o risco de tomar uma multa", disse Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo.

Para o presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil, Cyro Vidal, não há ilegalidade, pois a Prefeitura tem competência para definir onde as regras valem. "Mas é fundamental que haja sinalização não só onde a proibição volta a valer, mas também pouco antes." A distância mínima sugerida, de acordo com o engenheiro de tráfego Sérgio Ejzenberg, é de 300 metros. "Os motoristas não têm de ficar caçando placas."

Fiscalização. A reportagem permaneceu uma hora contando a quantidade de motos ao lado de um agente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foram registradas 79 motos infringindo a proibição - uma infração a cada minuto, praticamente. Também houve 546 motos na pista central e outras 503 na local.

Nesse mesmo período, no entanto, com um binóculo, o agente em cima de uma das pontes conseguiu anotar apenas duas infrações. A disparidade é resultado de uma série de dificuldades na fiscalização. Em primeiro lugar, as motos trafegam muito rápido e apenas com o binóculo fica difícil visualizar as placas.

Além disso, os marronzinhos têm dificuldade em reconhecer a marca e o modelo de cada moto - informações necessárias para preencher o talão de multas. O ritual, portanto, é demorado: é preciso passar uma comunicação de rádio para a central, transmitir a placa para depois receber as informações e completar o auto de infração.

A CET informa que já eram conhecidas as dificuldades dos agentes nas pontes e que esses têm uma função educativa, mostrando aos motociclistas que há fiscalização. A maior parte das multas, de R$ 85,12, seria aplicada pelos agentes nas pistas e pelos policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran). A licitação dos radares pistola, que serão operados pelos marronzinhos, ainda não foi lançada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.