Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Começa a sair do papel memorial por vítimas de tragédia da TAM

Após 4 anos do maior acidente da aviação brasileira, monumento vai ser anunciado em julho [br]e construído no exato local onde ocorreu a colisão da aeronave, na Avenida Washington Luiz

Suzane G. Frutuoso, do Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2011 | 00h00

Depois de quase quatro anos, as vítimas do maior acidente da aviação brasileira devem receber a homenagem que as famílias esperam há muito tempo: a Praça Memorial 17 de Julho será o marco da tragédia do voo JJ 3054 da TAM, cujo avião explodiu ao bater em um prédio da empresa no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo.

O projeto deve ser oficialmente anunciado pela Prefeitura no aniversário do acidente, em dois meses. O memorial será construído no ponto exato da colisão do avião, na Avenida Washington Luiz, 7.305, no Campo Belo.

O escritório que venceu a licitação é o Moara Projetos e Gerenciamentos, da arquiteta Maria de Lourdes Carvalho. Da janela de seu apartamento em Moema, ela acompanhou os clarões do incêndio da tragédia e o cheiro da fumaça.

A arquiteta diz que desejou, desde o começo, desenvolver o projeto, sem se importar com quanto renderia financeiramente. "Seria minha contribuição. Como ser humano, para confortar os que sofreram. Como profissional, para realizar uma intervenção urbana importante em um cenário de tristeza para todos nós", conta Maria de Lourdes.

A licitação foi vencida com um projeto orçado em R$ 86 mil. A ideia da arquiteta é fazer do terreno de 8,3 mil metros quadrados uma grande esplanada, com alguns bancos espalhados e cercada por um muro arredondado de pouco mais de um metro de altura. "Será um espaço de contemplação, quase um jardim japonês", explica.

Luzes. No piso da esplanada serão embutidos 199 pontos de luz, representando o número de vítimas do acidente. A iluminação poderá ser vista de qualquer parte da esplanada. Uma amoreira, a única coisa que restou no local, será preservada a pedido dos familiares, que a consideram um elemento de vida resistente ao incêndio. No entanto, a árvore precisa de cuidados especiais. A planta está fragilizada e deve passar por tratamento com um agrônomo.

Ao redor da amoreira, haverá um espelho d"água. Como o terreno tem um desnível, a área onde está a árvore é mais silenciosa, com o barulho dos aviões que passam por Congonhas ao longe. Nas laterais da praça, serão preservadas árvores já existentes e plantadas outras, completando o trabalho de paisagismo.

Respeito. Segundo Lourdes, cada detalhe respeita o desejo dos familiares das vítimas, expressado em reuniões com o governo municipal.

"Depois de muitas divergências, definiu-se por transformar o lugar em algo agradável aos olhos. Projetos maiores seriam complicados. Como um pai que perdeu a filha, fico contente com o resultado", diz Christophe Haddad, um dos integrantes da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054.

O próximo passo é a licitação para a construção da obra, ainda sem data definida. O objetivo, segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, é que isso ocorra o mais rapidamente possível.

 

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