Combate ao crack: carnaval tem 47 internações

Número equivale a 24,8% do total de acolhidos desde 21 de janeiro, quando começou a força-tarefa do governo na cracolândia

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h06

Nos quatro dias de carnaval, o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que faz parte do Programa Estadual de Enfrentamento ao Crack, internou 47 dependentes químicos. Esse número representa 24,8% do total de acolhidos desde o início do programa, no dia 21 de janeiro.

Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o alto número de internações mostra que o trabalho desenvolvido pelo Estado é "ininterrupto". Ao todo, 189 usuários de drogas foram internados desde janeiro, nenhum deles de forma compulsória. Entre as internações, 90% foram feitas com o consentimento do paciente e os 10% restantes, que representam cerca de 18 usuários, foram internados involuntariamente, mas com o consentimento da família.

Durante esses 23 dias, o número de ligações de familiares e pacientes aumentou em quase 20 vezes e 1.203 atendimentos foram feitos pelo Cratod.

Por causa da grande procura de familiares, o governo do Estado inaugurou uma tenda anexa ao prédio do Cratod na Rua Prates, no Bom Retiro, região central da capital, para atendimento e triagem. No espaço, profissionais de assistência social, saúde e justiça ficam de plantão para receber famílias e usuários.

Para reforçar o atendimento, o governador anunciou ainda que 26 médicos - 21 psiquiatras e cinco clínicos - foram contratados para a equipe. Ainda de acordo com ele, 185 leitos exclusivos para casos de saúde mental foram reservados, assim como 300 vagas em casas de acolhimento social. Essas vagas são para os usuários que precisam de atendimento, mas não necessariamente da internação.

"Nessas casas, o usuário vai resgatar as relações de vínculo com as famílias", explicou Cleusa Apolinário, da Secretaria de Desenvolvimento Social.

Na inauguração do espaço na manhã de ontem, o governador mostrou que fez a lição de casa. Ele contou ter passado o feriado lendo textos de médicos e psiquiatras especializados no assunto, como o pesquisador Ronaldo Laranjeira. "O crack surgiu no Brasil há menos de 25 anos. É uma doença crônica e 'incentivante', por isso não é um trabalho fácil. Mas há de se perseverar nessas ações", disse Alckmin.

Perfil. Levantamento feito pelo governo mostra que 84% dos internados são do sexo masculino e 94% deles têm idades entre 18 e 59 anos. Segundo o governador, a maior parte tem idade entre 18 e 30 anos. "São pessoas de menor escolaridade, menor poder aquisitivo e geralmente de famílias desestruturadas", afirmou. Apenas 5,5% dos internados são adolescentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.