Comando-Geral afasta 3 PMs após morte 'por engano' no DF

Policial diz ter atirado por engano durante perseguição em Brazlândia. Motorista também foi atingida

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2013 | 02h08

A Polícia Militar do Distrito Federal afastou três policiais que estavam na viatura de onde partiu o tiro que matou, supostamente por engano, o trabalhador José Chaves Alves Pereira, de 27 anos, na cidade-satélite de Brazlândia, a 30 km de Brasília. Eles confundiram o veículo com outro, da mesma marca e cor, de um criminoso envolvido em sequestro relâmpago que vinham perseguindo anteontem à noite.

Um dos policiais envolvidos na perseguição disparou a arma. O tiro passou de raspão na cabeça da motorista e atingiu o passageiro ao lado, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ontem.

Os três policiais envolvidos na perseguição vão responder a processo administrativo disciplinar, além de inquérito militar, e podem ser punidos com penas que vão de suspensão à expulsão. A Polícia Civil também abriu inquérito e o autor do disparo deve ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção). "A PM reconhece o erro de procedimento e pede desculpas à sociedade e à família da vítima", disse o comandante-geral Suamir Santana.

Ele explicou que os três PMs estão abalados com o incidente trágico e foram encaminhados ao Centro de Assistência Social para receber atendimento psicológico. "É um procedimento padrão nesses casos de erros", disse Santana. "Adotamos todas as medidas para esclarecer os fatos com transparência e evitar que erros desse tipo se repitam", afirmou. Atingida de raspão, a motorista do veículo, Karla Pamplona Gonçalves, de 22 anos, recebeu curativo e foi liberada.

Investigações. Os PMs perseguiam um carro vermelho, roubado por três bandidos envolvidos numa série de sequestros relâmpago. O carro havia sido roubado de um estudante universitário, vítima de sequestro relâmpago em Taguatinga.

Na hora da abordagem, um dos policiais, aparentemente por despreparo ou nervosismo, precipitou-se e fez o disparo. Um terceiro passageiro, Michael de Oliveira, que vinha no banco de trás, nada sofreu. O policial, cuja identidade foi mantida em sigilo, disse em depoimento que a intenção era atirar no pneu para parar o veículo, mas acionou o gatilho no momento errado. A explicação não convenceu a Delegacia de Polícia de Brazlândia, que mandou a arma para perícia.

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