Comando da PM erra e troca 'integridade' por 'letalidade'

'Houve um ato falho', justificou comandante-geral; projeto que será apresentado ao governador propõe indicadores e gratificações a policiais

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h03

O Comando da Polícia Militar de São Paulo disse ontem que trocou os conceitos de "letalidade policial" por "integridade policial" ao explicar o índice que pretende criar para pagar gratificações aos praças e oficiais.

Na terça-feira, durante entrevista, o coronel Roberval Ferreira França disse que pagaria uma remuneração variável aos policiais que conseguirem reduzir o crime e a letalidade. Ontem, o coronel disse que se expressou de forma equivocada. "Houve um ato falho", afirmou, depois de ouvir a gravação da entrevista, enviada pelo Estado.

Segundo ele, a proposta, a ser apresentada na semana que vem ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), vai depender de cinco indicadores: criminais (conforme taxas de homicídios, roubos, furtos, roubo de veículos, furto de veículos, latrocínios, estupros, roubo de cargas, etc.); indicadores operacionais (armas e drogas apreendidas, prisões em flagrante, procurados da Justiça capturados, etc); índice de satisfação com os serviços e com a PM; índice de confiança na PM; índice de Integridade Policial (baseado no grau de integridade dos policiais que compõem uma determinada unidade da PM). Os policiais que receberem mais pontos vão ganhar gratificações.

O índice, segundo o coronel, será feito para pagar policiais de unidades territoriais. Não vai ser calculado por indivíduos.

Para combater a letalidade policial, o coronel Roberval Ferreira França explica que existem outros instrumentos, a serem incrementados na reforma policial. Um deles é a melhoria da apuração interna dos desvios, agilizando o processo de expulsão. O aumento da carga de treinamentos, que permitiria ensinar os procedimentos operacionais padrão aos policiais, será outra medida. Atualmente é dada, uma vez por ano, uma semana de treinamento aos policiais. A ideia na reforma seria aumentar essa carga horária para duas horas de treinamento diárias.

"Atualmente, a PM tem 11 mecanismos internos e 14 mecanismos externos para controlar a letalidade policial, que reduziu bastante nos últimos anos. Estamos enfrentando esse tema com outras ferramentas", disse.

Imagem. Para o coronel França, a reforma na Polícia Militar deveria ajudar a mudar a imagem e a forma de agir da corporação. Segundo ele, a intenção é fazer com que a PM seja vista como um "manto protetor" da sociedade. A ideia seria fortalecer a prestação de serviços sociais, que correspondem à maioria do trabalho prestado atualmente pela corporação, que hoje prioriza o combate ao crime.

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