Comando buscava lugar na Assembleia Legislativa

Grampo mostra tentativa de mobilizar até visitas e fazer 'panfletagem' em favor de uma advogada e candidata

O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h03

A maior facção do crime organizado do País quer entrar para a política. A cúpula planejou a eleição de uma deputada estadual em São Paulo - a candidata seria uma advogada cujo nome não foi identificado. Quem trata do plano de obter uma vaga na Assembleia Legislativa paulista é Roberto Soriano, o Tiriça, número 4 na hierarquia da organização criminosa.

A articulação do grupo envolveu as eleições de 2010. No dia 29 de julho, o bandido conhecido como Francisco Tiago Augusto Bobo, o Cérebro, diz no telefone que recebeu uma ordem para organizar a facção e fazer campanha para o candidato do PCC. O assunto deve ser tratado em todo o sistema prisional e a ordem da cúpula era evitar que se falasse a respeito dele em telefonemas, provavelmente para evitar que a candidatura apoiada pela facção fosse cassada pela Justiça Eleitoral. Além dos presos, a facção queria mobilizar as visitas, a fim "organizar a panfletagem".

"Essa caminhada (missão) é o seguinte: tem uma gravata (advogada) que está se elegendo (será candidata) e pediu nosso apoio e o apoio vai ser dado. Em cima desse apoio, se ela ganhar, vai ser doado metade das cadeiras lá", revelou o bandido. No dia 3 de agosto, às 15h12, outro criminoso - Fabiano da Silva - recebeu uma comunicação da cúpula da facção.

Tratava-se de um "salve" (mensagem) dirigido "às unidades masculinas e femininas onde se encontram presos que ainda não estão condenados", no qual os bandidos diziam que tinham de exercer o seu direito de votar. De fato, os chamados presos provisórios têm direito a voto. A facção pediu aos presos que tivessem o direito, mas que se estivessem sendo impedidos de votar escrevessem ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Brito, manifestando seu desejo de votar. O "salve" era assinado pela "Sintonia dos Gravatas", o departamento jurídico da facção criminosa.

Favelas. Além dos votos no sistema e dos parentes de presos, o PCC espera contar com a votação de moradores de comunidades carentes em que atuam integrantes da facção criminosa. Soriano, o Tiriça, afirma que "vai fazer aquele apoio na favela".

Desde 2002, a facção procura entrar na política. Três candidaturas já foram impugnadas pela Justiça Eleitoral com base em pedidos do MPE - por suposta ligação do candidato com os integrantes da facção. / M.G.

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