Wilton Junior/AE
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Comandantes tomam QG do tráfico após 3h de operação

Local, no ponto central da comunidade, era considerado impenetrável até[br]ontem; Bope comemorou

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

Pouco mais de três horas após o início da operação militar no Complexo do Alemão, o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, e o general Fernando Sardenberg, comandante da Brigada da Infantaria Paraquedista do Exército, encontraram-se na localidade do Areal. Ponto central da comunidade, o local tem aspecto simbólico. Era uma espécie de quartel-general do tráfico no Alemão e considerado inexpugnável até o início da operação. Juntos, começaram uma longa caminhada ao outro extremo do complexo, a Favela da Fazendinha. "Recuperamos um território para a comunidade", disse Duarte. "Fizemos um bom combate", afirmou Sardenberg.

A postura dos comandantes se refletiu em todos os policiais e militares, como se a tomada do Complexo do Alemão representasse uma questão de honra. Sob o sol forte da manhã do Rio, assim que receberam as ordens, os integrantes das forças de segurança destacados para a missão começaram a entrar pela Rua Joaquim de Queirós, na Favela da Grota, uma das principais do complexo. Tiros foram trocados no início, o que fez as tropas pararem enquanto esperavam a chegada de reforços e blindados.   

Do outro lado, na Fazendinha, os tanques e veículos militares mantinham a posição, enquanto homens de grupos táticos e operacionais da PM, das Polícias Civil e Federal e do Exército se concentravam no local. A expectativa era de que parte dos traficantes usasse o local como rota de fuga. De repente, cerca de 30 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram pela Rua Canitar, com o grito de guerra da unidade: "Caveira". Com fuzis em punho, eles seguiram pela comunidade. 

 

 

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Ação. Os soldados do Exército, cuja missão se limitava a guardar as saídas da comunidade para evitar eventuais fugas, demonstraram empolgação com a ocupação do complexo de favelas. Normalmente quietos, deixaram transparecer a vontade de agir. "O dedo coça para participar", disse um dos homens acampados do lado da Fazendinha. "A gente deu a oportunidade para eles se entregarem. A ideia agora é matar. Seria uma boa oportunidade de fazer um extermínio", afirmou outro militar, baseado na Grota, dizendo que aquela era a sua opinião e não a do Exército.

Nas três horas seguintes, policiais militares, civis e federais avançaram pelas vielas das comunidades. Diante da vitória relativamente fácil, os homens relaxaram. Brincaram entre si. Fizeram juntos ações de recolhimento de traficantes de menor importância, apreensões de drogas e dezenas de fuzis e metralhadoras. / COLABORARAM FELIPE WERNECK, JOSÉ MARIA TOMAZELA E RODRIGO BURGARELLI

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