JF Diório/ESTADÃO
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Com votos de 51 dos 55 vereadores, Eduardo Tuma é o novo presidente da Câmara Municipal de SP

Vereador do PSDB vai conduzir a Câmara em 2019, quando devem ser votadas a venda do Autódromo e revisão da Lei de Zoneamento

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2018 | 12h18

SÃO PAULO - Os vereadores de São Paulo elegeram na manhã deste sábado, 15, Eduardo Tuma (PSDB) como novo presidente da Câmara Municipal da cidade. Atual vice-presidente, o tucano assume mandato de um ano, com possibilidade de reeleição, com votos de 51 dos 55 parlamentares. Não teve votos do vereador Fernando Holiday (DEM), que se lançou candidato para marcar posição de seu grupo, o Movimento Brasil Livre (MBL), uma abstenção em plenário e sem os dois votos da bancada do PSOL - os vereadores faltaram à sessão. 

O tucano, que assume em janeiro, deve tocar a Câmara em um ano em que serão discutidos projetos que irão mexer com o patrimônio pessoal dos cidadãos, movimentando milhões. Em 2019, a Câmara deve votar a revisão da Lei de Zoneamento, alterando os usos possíveis de terrenos e imóveis da cidade e, consequentemente, seus preços. Além disso, há uma discussão para anistiar imóveis construídos ou ocupados em desacordo com o zoneamento e, por fim, a venda do Autódromo de Interlagos (e uma operação urbana para a região do entorno do complexo, chamada Operação Urbana Jurubatuba). 

Tuma assume na expectativa de não ter de lidar com a reforma da Previdência Municipal, projeto que o Executivo não conseguiu aprovar em março, uma vez que a Câmara deve funcionar até o dia 28 para aprovar o projeto ainda neste ano. 

A eleição de Tuma foi costurada de forma a manter a prática na Casa de distribuir os cargos da mesa diretora conforme o tamanho das bancadas. O PT, de oposição, por exemplo, ficará com a 1.ª secretaria, que cuida da administração do prédio. O atual presidente, Milton Leite (DEM), fez parte da composição da Mesa em uma troca de cadeiras com Tuma. Passará a ser o vice-presidente. 

O processo se deu com as galerias da Câmara ocupadas por membros do MBL, que trouxeram faixas pedindo o "fim do TCM (o Tribunal de Contas do Município)" e o "fim das mordomias" e gritaram deforma a interromper discursos e foram cercados pro guardas civis metropolitanos. Atacaram Tuma e PT. "Ih, a gente sabe, o PT tá com Tuma e não abre", gritavam.

Em seu discurso, Holiday teve de falar para seu público de forma que, ao mesmo tempo, não se indispusesse com Leite, que é de seu partido e uma espécie de padrinho na Câmara, nem com Tuma, de quem é próximo. Fez um discurso que evitou os ataques direitos. "Minha candidatura é uma anticandidatura" que não estaria "contra as pessoas", mas contra "os meios". Não ligou Tuma ao PT, como fez o MBL. "O incômodo já era previsto", disse ao Estado, "mas temos projetos juntos (Tuma e ele) e acredito que ele não deixará de pautar propostas polêmicas".

Já Tuma defendeu sua candidatura apontando propostas que deve tocar, como publicar as sessões da Câmara no Youbube e citou também o Instagram. Disse que iria "modernizar" o parlamento e melhorar a comunicação da casa.

Após a eleição de Tuma, quando o nome de Leite foi apresentado, sem adversários, para a vice-presidência, Mário Covas Neto (Podemos), desafeto de Leite, pediu palavra para lançar a candidatura de Holiday para o cargo. O vereador do MBL declinou da disputa com Leite. 

 

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