Grizar Junior
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Com ventos de 96 km/h, temporal volta a alagar SP

Cidade tem as maiores rajadas desde início da medição, em 2006, e 42 pontos de inundação; Lago da Aclimação transborda de novo

Cristiane Bomfim, Marcela Spinosa, Márcio Pinho, Paulo Saldaña e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2011 | 00h00

O temporal de ontem em São Paulo teve ventos de até 96 km/h - maior velocidade já registrada desde 2006 - e causou efeitos já conhecidos: córregos transbordaram e bairros ficaram às escuras. Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram afetados e o Aeroporto de Congonhas também ficou sem operar. Na região central, o Lago da Aclimação transbordou pela segunda vez em menos de uma semana.

As rajadas recordes foram registradas pela estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) que funciona desde 2006 no Mirante de Santana, na zona norte - uma das mais afetadas pela chuva. O Córrego Tremembé transbordou e a região ficou alerta. Na zona sul, onde estavam 12 dos 42 pontos de alagamento da cidade, o Rio Tamanduateí e o Córrego Ipiranga transbordaram.

A dona de casa Cláudia Correa, de 45 anos, mora na Avenida Abraão de Morais, que ladeia o Córrego Ipiranga, e ficou assustada com a força da água. "Vi bancos, uma porta e um banheiro químico boiando. A água subiu muito rápido."

Também na zona sul, o Aeroporto de Congonhas ficou fechado das 14h19 até as 15h - quando passou a operar por instrumentos. Na Linha 1-Azul do Metrô, a Estação Jardim São Paulo ficou alagada e foi fechada às 14h58. Só foi liberada mais de uma hora depois. Na CPTM, houve interrupções nas linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira.

Segundo os bombeiros, houve 181 ocorrências na cidade. Vila Mariana, Aclimação, Vila Maria, Mooca, Santana, Tremembé, Socorro e Tatuapé ainda estavam sem luz ontem à noite.

A situação só começou a melhorar por volta das 16h. Mas foi exatamente quando a água dava uma trégua que o lago do Parque da Aclimação voltou a transbordar. "A chuva já tinha parado e de repente a água avançou, como um rio, na minha casa", diz a aposentada Maria Olinda, de 65 anos, moradora da Rua Oscar Guanabarino. Na quarta-feira, a casa dela e dos vizinhos foram invadidas pela água.

O problema ocorreu mais uma vez em um canal provisório de escoamento que deveria impedir que o lago transbordasse enquanto as obras do novo vertedouro não ficam prontas. Na semana passada, a forte chuva encheu o lago e, com a pressão, um muro de contenção do canal foi destruído. Depois disso, uma barricada de sacos de areia foi erguida para conter a água em caso de chuva, mas ontem os sacos não aguentaram.

Os sacos de areia serão repostos até a entrega do novo vertedouro, em abril.

Em outro parque, a preocupação são os raios. A direção do Villa-Lobos, na zona oeste, estuda chamar um especialista para aprimorar seu sistema de proteção nos 732 mil metros quadrados. Anteontem, uma vigilante do parque foi atingida por um raio durante a chuva. Ela está internada em estado grave no Hospital das Clínicas.

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