Com 'unicórnios', Tarado ni você para o centro de SP em ode a Caetano Veloso

Bloco com tom tropicalista saiu do cruzamento da São João com a Ipiranga e percorreu ruas da região, transformando- as em divertidas pistas de dança; integrantes gritaram 'Fora, Temer"

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2017 | 18h55

SÃO PAULO - Se pareceu que a festa pudesse ser estragada pela garoa que teimou em cair na hora do almoço neste sábado, 25, no centro da cidade, a chegada dos foliões mostrou que não seria algumas gotas de água que estragariam o carnaval de rua de São Paulo. O bloco Tarado Ni Você parou o centro da cidade em uma ode tropicalista ao cantor baiano Caetano Veloso, transformando as ruas do centro velho em uma pista de dança divertida e dançante. 

As fantasias eram de tudo o que se podia imaginar. As unicórnios, febre do carnaval deste ano, rivalizaram com rapazes vestido do mesmo jeito. Vale dizer que a fantasia, que consiste em uma saia de bailarina com maiô e uma tiara com o chifre se adaptava para várias coisas: coelhinha, ratinha, princesa e até diabinha, dependendo do adereço da tiara.

O Tarado Ni Você saiu da esquina das Avenidas Ipiranga e São João. Depois de cruzar a Praça da República, entrou na Avenida São Luís até a Rua Xavier de Toledo. Fez uma longa pausa na Praça Ramos de Azevedo até seguir, então, para o Largo do Paissandu para voltar à Ipiranga, onde o bloco terminou. 

Por muitos momentos, o bloco teve um tom político. Entre os hits de Caetano, o povo emendava “Fora Temer” às músicas, e a falta de gritos contrários não fez a festa ficar chata. 

Do rapaz vestido de Princesa Leia, do Star Wars às moças com seios à mostra e frases feministas no corpo, não havia como não se divertir com a criatividade das fantasias. A menina com macacão laranja poderia sugerir uma referência ao prefeito João Doria e sua mania de se vestir de gari. Não era. “Sou a Chapman do (programa da Netflix) Orange Is The New Black, cara”, disse a jovem, ao ser entrevistada. O fato de ela ser morena, e estar com a peruca loura, poderia ter evitado a gafe se o repórter fosse mais atento.

“Estou com um grupo de amigas do trabalho e vizinhos. Nem pensei em viajar neste ano, queria ficar aqui mesmo. Ano passado, não viajei porque estava sem dinheiro e fiquei aqui. Os blocos estão cada vez mais legais”, contou a inspetora de qualidade Marina Oliveira, de 23 anos, fantasiada de “natureza”, com um biquíni com lantejoulas verdes e folhas de samambaia de verdade presas ao cabelo encaracolado.

Quem estava festa não reclamou muito, mas a organização pecou nos banheiros químicos. Havia algumas cabines na Praça da República, na Praça Ramos de Azevedo e no Largo do Paissandu, mas o número de foliões que precisavam deles era bem maior. Foi fácil ver meninas se aliviando, sem mesmo tirar os shorts, nos canteiros ao redor do trajeto. Os rapazes usaram a primeira parede que viram.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também demorou a fechar as ruas que davam no bloco, o que fez com que motoristas tivessem que transitar no meio da folia para não ficarem ilhados. Mas nada também que estragasse a festa. O Metrô estava com grades separando o fluxo dos foliões que chegavam e saíam tanto da Estação Anhangabaú quanto da República, e ajudou a tornar a festa tranquila. A Polícia Militar se fez presente, e não foi possível avistar a ação de ladrões de celular. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.