Com trânsito recorde, a cidade trava

Capital registrou 249 km de congestionamento às 10h; nas principais vias, mais de 53 mil veículos praticamente estacionaram nas ruas

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h01

Uma cidade travada. Às 10h de ontem, São Paulo registrava 249 km de lentidão. Foi o recorde no pico da manhã desde o início da medição, em meados dos anos 1980. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a greve dos metroviários e ferroviários, a suspensão do rodízio de veículos e um acidente envolvendo um caminhão na Marginal do Pinheiros explicam o caos. Nas principais vias da cidade, mais de 53 mil veículos formavam um imenso estacionamento ao ar livre. Além dos carros, ônibus e táxis não saíam do lugar nem nos corredores exclusivos.

Até então, o recorde da manhã havia sido de 191 km. Foi registrado em 4 de novembro de 2004, quando uma tempestade interditou ruas e avenidas. Ontem, a lentidão ficou acima do padrão por mais de três horas. Às 8h, a cidade já registrava 202 km de filas. E até as 10h30 só piorou. Com as avenidas carregadas, a chegada ao trabalho demorou, em média, duas vezes mais. No Morumbi, por exemplo, cruzar o Rio Pinheiros levava meia hora.

O recorde de congestionamento ainda levou a CET a interditar passagens subterrâneas. Uma operação especial limitou o acesso ao Túneis Tribunal de Justiça e Ayrton Senna, na zona sul, para reduzir o trânsito no sentido Marginal do Pinheiros, que apresentou, durante toda a manhã, a maior lentidão da cidade - a carga de um caminhão que tombou de madrugada só foi retirada por completo após as 12h.

A situação começou a se normalizar ao meio-dia, quando o índice de congestionamento caiu para 133 km, lentidão considerada dentro da média. Segundo a CET, uma operação de emergência foi colocada em prática para minimizar os impactos da greve e dar maior mobilidade aos principais corredores.

Na Estação Tamanduateí, passageiros encontraram a Linha 2-Verde fechada. E tiveram de apelar aos táxis. Mas, sem transporte público, a espera por um carro passou de uma hora. Funcionário de uma empresa de tecnologia na região da Avenida Paulista, o analista Ari César Picelli, de 30 anos, esperava por um táxi que seria enviado pelos empregadores para buscá-lo com outros três amigos. "Eles instruíram a gente a pedir um táxi. O problema é que entro às 8h e, até agora, às 9h, o carro ainda não chegou."

Volta. Depois do caos, o trânsito chegou a ficar abaixo da média no início da noite. Às 19h, a cidade registrava 119 km de lentidão. Com os trens em operação desde 18h45, as principais vias mantinham tendência de queda de lentidão - parte em função da liberação de funcionários antes da hora. O Tribunal de Justiça, por exemplo, liberou os servidores às 17h. / ADRIANA FERRAZ E W.C.

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