NILTON FUKUDA/ESTADÃO
Foliões e a movimentação do bloco Love Fest, que desfila na Avenida Tiradentes, centro de São Paulo NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Carnaval de SP vira Parada LGBT fora de época com Bloco das Gloriosas e Love Fest

Com chuva fina variada com sol entre nuvens, cortejo reuniu foliões e integrantes para receber os blocos Minhoqueens e Desculpa Qualquer Coisa, além de artistas convidados nesta segunda-feira

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 15h12

SÃO PAULO - O desfile em sequência do Love Fest e do Bloco das Gloriosas, da cantora e drag queen Gloria Groove, criou quase uma Parada do Orgulho LGBT fora de época na Avenida Tiradentes, no centro de São Paulo, na tarde desta segunda-feira, 24. Das declarações e músicas dos trios elétricos às fantasias dos foliões, são presentes discursos contra a intolerância e o preconceito e símbolos do movimento LGBT, especialmente o arco-íris.

Gloria começou a apresentação no chão, ao apresentar seu hit mais recente "Sedanapo", junto de bailarinos, vestida da personagem Mary Jane. Ela se aproximou do público, que gritava e fazia declarações. Duas músicas depois, o público começou a gritar em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro.

O bancário Rodrigo Bottignon, de 34 anos, vestia um conjunto de camisa e bermuda com corações coloridos, arco-íris e a frase "bonito é ser livre", além de ter colado uma aplicação de arco-íris em cada bochecha e ter levado uma bandeira LGBT.  "Trouxe só para esse bloco. Mostra que a gente existe de verdade, como é na Parada, comenta Rodrigo. "Carnaval por essência é ser livre", completa o professor Italo Ruan, de 22 anos. Os dois amigos vieram de Sorocaba, no interior paulista. "É o primeiro bloco que venho, sou muito fã da Gloria", explica Italo.

"Faz muito sentido (comparar com a Parada). Também é uma forma de trazer visibilidade", afirma o enfermeiro Francisco Azevedo. "Também é uma forma de se diferenciar um pouco", conta a administradora Rebeca Rodrigues, de 30 anos, que usava uma bandana com as cores do arco-íris. 

A técnica de enfermagem Thairine Agata, de 28 anos, vestia uma camiseta com estampa do arco-íris. "Vim para representar. A Glória Groove é uma grande defensora da causa", conta. "Cada um tem um estilo de representar a comunidade. Não tive como me produzir, mas estou aqui", afirma o merchandising Anderson Silva, de 25 anos.

"Mostra que a comunidade está se expandindo, bom que tem representam a gente (como a Gloria)", completa o estagiário de Engenharia Gabriel Oliveira, de 20 anos, que veio de Itapevi. Os blocos voltados especialmente  (mas não exclusivamente) ao público LGBT reúnem alguns dos maiores públicos do carnaval paulistano, como  Minhoqueens, o Agrada Gregos, o Bloco da Pabllo e o Siga Bem Caminhoneira, dentre outros. Com milhares de foliões, o bloco enfrentou empurra-empurra para conseguir se mover pela via, apesar da grande concentração de cordeiros (seguranças que empurram as cordas, que protegem o trio).

 

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Fantasias de índio e de negro alimentam polêmica sobre apropriação cultural durante a folia

Alessandra Negrini e tradicional bloco carioca Cacique de Ramos foram alvo de críticas; órgão da prefeitura de BH e Defensoria Pública cearense publicaram cartilhas

Fábio Grellet e Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 13h01

RIO - Carnaval é aquela festa na qual empregado usa roupa de patrão, homem se fantasia de mulher, branco se veste como índio, certo? Não mais. Assim como o lança-perfume, outrora fartamente consumido durante o reinado de Momo e atualmente proibido, também as fantasias de índio, rastafari, nega maluca, mulher, padre e outras vão acabar, se depender de campanhas lançadas pelo poder público neste carnaval. Recomendações foram feitas, por exemplo, por órgãos de Belo Horizonte e do Ceará. 

A discussão não é nova. Passando pela marchinha É Proibido Proibir até a música Proibido o Carnaval, de Daniela Mercury, as discussões sobre o que pode ou não no carnaval variam de época a época. Podem atingir as letras: hoje marcas do século passado como Cabeleira do Zezé, Mulata Bossa Nova e Índio Quer Apito acabaram praticamente banidas do repertório. Agora, o foco são fantasias e acessórios - quase um século depois de o pioneiro João da Baiana ser preso por vadiagem, apenas por andar com pandeiro na rua. E não há tanto consenso.

A polêmica sobre fantasias de índio começou em 2017 e foi retomada agora, antes mesmo do feriado. No primeiro domingo da folia em São Paulo, 16, a atriz Alessandra Negrini desfilou no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, do qual é rainha há sete anos, com cocar e pintura corporal com referências aos povos indígenas. 

Nas redes sociais, ela foi acusada de apropriação cultural - usar símbolos indígenas como adereços para se autopromover e ganhar visibilidade. A atriz nega. “A luta indígena é de todos nós e por isso eu tive a ousadia de me vestir assim”, justificou-se depois à imprensa.

Em meio à retomada das críticas às fantasias de índio, internautas elegeram o Cacique de Ramos carioca, bloco criado há 59 anos, como novo alvo. O grupo desfila no Rio desde 1961 e se divide em alas com fantasias indígenas, como Apache, Tamoio, Cheyenne e Família Carajás. 

“Tanta fantasia boa para inventar e a galera insistindo nesses rolês racistas”, escreveu no Twitter uma internauta. “Tem gente do movimento indígena falando sobre como é desrespeitoso com a cultura deles e sobre como esse reforço ao estereótipo é parte de um projeto de apagamento étnico”.

 

Em nota, o bloco se defendeu. “O Cacique de Ramos compreende e respeita o debate identitário. No entanto, pedimos licença para falar da nossa trajetória. Os pioneiros do bloco possuíam nomes indígenas e eram ligados à umbanda. A agremiação nunca perdeu de vista o componente religioso no seu dia a dia nem suas referências desde a fundação.” 

O presidente do bloco é Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, de 83 anos. Ele fundou a agremiação ao lado de seus irmãos Ubiraci e Ubirani, que também têm nomes de origem indígena, e integrantes de outras duas famílias.

Cartilhas apontam lista de figurinos 'vetados'

O carnaval sempre foi um elemento de exposição da africanidade - praticamente todas as escolas de Rio e São Paulo, por exemplo, tem algum detalhe afro em enredo e adereços. Mas a liberdade de uso cultural está em discussão aberta. Na capital mineira, o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial divulgou no dia 13 uma cartilha de conduta durante o carnaval. A publicação, chamada Nota de Orientação para Práticas Não Racistas no Carnaval, tem sete itens. O primeiro critica marchinhas que “perpetuam o racismo velado em expressões de bestialização e hipersexualização do corpo negro”, como as já citadas.

O segundo item critica o blackface, técnica teatral usadas para pintar pessoas brancas como negras. “O Blackface carrega a simbologia do apartheid e no Brasil não deve ser confundido com homenagem”, diz a cartilha. O texto também critica o uso de perucas “black power” ou “nega maluca”, dreadlocks e touca com tranças, que se “traduzem como desrespeito aos símbolos da resistência negra”. Trajar-se como índio ou cigano também é desrespeitoso, diz o material. Homem vestido de mulher, então, nem pensar: é uma atitude machista, desrespeitosa com as mulheres e preconceituosa contra as pessoas trans, acrescenta o texto.

Renata Spallicci, rainha de bateria da escola paulistana Barroca Zona Sul, chegou a fazer publicação nas redes sociais com acessórios remetendo a uma escrava. Criticada, teve de apagar tudo e se desculpou. No ano passado, a Gaviões foi amplamente criticada por fazer alusão religiosa em seu desfile - com o Diabo vencendo Jesus - e chegou a ser acionada judicialmente.    

No Ceará, a Defensoria Pública criou quatro cartazes de alerta contra as mesmas fantasias criticadas pelo órgão municipal mineiro. “As vestes de padres, pastores, judeus e muçulmanos representam costumes, tradições e crenças”, explica um deles. Homem vestido de mulher é atacado em outro: “Não reforce estereótipos de gênero com seu preconceito”, alerta.

Foliões se dividem sobre figurino e músicas para o carnaval

Entre os foliões, as opiniões são divididas. “Tenho filho pequeno e não permito que ele cante marchinhas como Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão”, conta a advogada paulistana Maria Elisa Pereira, de 38 anos. “É mais uma agressão aos gays, que já são tão discriminados”, avalia. Mas ela não concorda que todas as fantasias sejam abolidas. “Já fantasiei meu filho de índio e de cigano, e não vejo desrespeito a esses povos em uma criança se fantasiar assim. Para mim é até uma homenagem."

A designer de interiores Mariana Gibran, de 44 anos, condena fantasias que erotizam o corpo da mulher ou estimulam o machismo. “Já me fantasiei de gata, e hoje não repetiria. É uma forma de erotizar o corpo da mulher, e isso é descabido. Mas não tinha essa consciência naquela época”, admite. Mariana vestiu fantasia pela primeira aos 7 meses, levada pelos pais a um baile de carnaval e diz não se sentir ofendida por homens fantasiados de mulher, embora ache “tolo, fora do tempo”.

“O uso da maioria dessas fantasias é relativo, depende do contexto e da intenção da pessoa. Já vi homens vestidos de Santo Expedito e brincando com o fato de ser conhecido como o santo das causas impossíveis, e acho isso divertido, não um desrespeito aos católicos. Então, depende do caso”, diz a designer. Neste ano já desfilou em São Paulo vestida como Elke Maravilha, atriz russa radicada no Brasil, que morreu em 2016.

Para analisar a apropriação cultural no contexto carnavalesco, nós conversamos com o sociólogo Sérgio Barbosa, professor de Sociologia e Filosofia da Universidade Estácio de Sá.

- Como você avalia a questão da apropriação cultural, com o uso de adereços e fantasias indígenas, por exemplo, durante a folia?

Quando essa apropriação cultural é feita de forma consciente, autorizada, de forma que denuncie alguma questão que está sendo violada, acho justo o uso de fantasias e adereços para que se levante o debate. Agora, quando isso é feito somente para o uso da imagem, sem relação com a realidade, na verdade se torna um grande deboche. A apropriação cultural é uma ferramenta de dominação, onde uma determinada sociedade ou cultura se apropria de outra não para elevar, mas para rebaixá-la, controlá-la. A apropriação cultural é um mecanismo de controle que usa determinadas representações fora de contexto e fora de ritual.

- Órgãos governamentais, como a Defensoria Pública do Ceará e a prefeitura de Belo Horizonte (MG), decidiram publicar cartilhas alertando sobre figurinos considerados racistas, como o blackface ou o uso de perucas “black power”. Esses figurinos podem ser considerados desrespeitosos com os símbolos da resistência negra?

Sim. Esses figurinos podem representar um desprezo pela cultura apropriada. E acho justo criar uma determinada cartilha porque é o limite entre a fantasia e o desrespeito, porque quando você se apropria, não está usando os mesmos critérios. Você está deslocando alguma coisa que tem um sentido, ou turbante, um bigode, ou até mesmo um determinado adereço, daquele lugar. E você está colocando isso em risco. Então, é bom que as pessoas saibam que determinadas coisas têm um sentido muito valioso para outra pessoa.  

- E homem vestido de mulher, pode ser considerado desrespeito?

Quando um homem se veste de mulher no carnaval para brincar na folia, ele está usando de um determinado poder para afirmar o lugar de controle na sociedade. Ao vestir-se de mulher, não está só banalizando a mulher como objeto, mas trazendo para a sociedade uma ridicularização daquilo que é o feminino ou daquilo que, na visão dele, deve se comportar o feminino. Então, quando ele faz isso, apropria-se de atributos ou características que coloca a mulher em um lugar de deboche, desvalorizando não só a mulher como indivíduo, mas a mulher em sua coletividade  

- Muitas escolas de samba abordaram a questão da intolerância religiosa durante os desfiles. Nos bloquinhos de carnaval, não é raro as fantasias de freira ou padre e etc. Existe um limite para esse tipo de diversão?

Não, acho que não deve haver limite, mas bom senso. Porque, se for coibido, é uma repressão. Mas um bom senso no mostrar, a forma de levar essas coisas para um desfile. É mostrar para a sociedade que a sociedade é aberta e que precisa de liberdade para se expressar por meio da arte. Sempre, em qualquer sociedade, em qualquer tempo, haverá intolerância religiosa. Porque a intolerância religiosa é a própria ignorância. E quando os extremos se chocam, há um conflito de visões de uma mesma realidade, onde os extremistas dos lados A e B não abrem para o diálogo. 

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Blocos de carnaval reúnem 450 mil pessoas no Rio nesta segunda

Destaque foi o Sargento Pimenta, no Aterro do Flamengo; carnaval carioca tem sido marcado pela chuva

Fernanda Nunes e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 17h33

RIO - Cerca de 520 mil foliões pularam o carnaval nos blocos de rua do Rio nesta segunda-feira, 24, até as 18 horas, informa balanço divulgado pela Riotur. A agência municipal de promoção do turismo da capital fluminense já contabilizou um público de 3 milhões de pessoas nos blocos cariocas desde sábado.

O maior desfile da segunda-feira de carnaval foi do Bloco do Sargento Pimenta, que no Aterro do Flamengo, na zona central da cidade, atraiu 340 mil foliões pela manhã e início da tarde. Em seu décimo ano de carnaval, o Sargento Pimenta toca músicas do repertório dos Beatles em ritmo de samba e outros estilos brasileiros, com sua bateria formada por músicos formados em oficinas de percussão.

No Leblon, na zona sul, o bloco Corre Atrás, que neste ano completou seis anos de folia, arrastou 80 mil pessoas. Também desfilaram nesta segunda-feira os blocos Que Pena Amor (10 mil foliões); Vem Cá, Minha Flor (9 mil); Bloco de Segunda (8,5 mil); Bloco Virtual (6 mil); e Batucada Abençoada (2 mil).

No Centro, na mesma linha do Sargento Pimenta, o bloco Dinossauros Nacionais arrastou 12 mil foliões com versões carnavalescas de sucessos no rock brasileiro.

“Prefiro os blocos que ficam parados, com palco, para não correr o risco de acabar imprensada numa rua mais estreita”, disse a consultora de comunicação Aline Salgado, que começou a segunda-feira de carnaval acompanhada de um grupo de amigos no Dinossauros Nacionais.

Outra preocupação permanente, principalmente onde há mais aglomerações, é com a segurança – furtos de celulares são comuns. O carnaval carioca de 2020 também está sendo marcado pela chuva, que cai na cidade desde a tarde de sexta-feira. Mesmo assim, a chuva e o clima mais ameno não desanimaram.

“É melhor do que ficar debaixo de sol”, brincou Aline.

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'Carnaval é uma mentira', diz Andressa Urach, longe dos desfiles

Ex-modelo publicou texto criticando quem aproveita as festividades em seu Instagram

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 15h35

Andressa Urach, ex-modelo e ex-participante de A Fazenda, publicou um texto em seu Instagram na madrugada desta segunda-feira, 24, criticando as festividades do carnaval no Brasil.

"O carnaval é uma mentira. Você está rodeado de várias pessoas, mas se sente sozinho. Você bebe para esquecer, usa drogas para tentar ser feliz, dorme com várias pessoas para fingir que usa os outros, só que no final você é quem foi usado", escreveu.

Na sequência, prosseguiu: "Tudo isso eu vivi, regalado de muito tinheiro e fama. Não estou julgando, e sim afirmando o que vivi, você pode até vir argumentar, mas no fundo sabe que é a verdade".

VEJA TAMBÉM: A trajetória e as polêmicas de Andressa Urach

Andressa Urach ficou conhecida principalmente por trabalhos na televisão que a levaram a participar do reality show da Record A Fazenda, onde protagonizou inúmeros momentos polêmicos - incluindo brigas com cusparadas.

Após ser internada na UTI por conta de complicações pelo uso de hidrogel em suas pernas em 2014, a ex-modelo se converteu religiosamente. Em 2019, foi nomeada para um cargo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no qual recebeu mais de R$ 7,5 mil por mês.

Confira abaixo a postagem feita por Andressa Urach sobre o carnaval:

VEJA TAMBÉM: Artistas que desfilaram ou vão desfilar no carnaval 2020 no Rio ou em São Paulo

 

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Com paródias contra assédio, máscara e até no videogame: políticos estão curtindo o carnaval

Com o Congresso em recesso até a próxima quinta, 27, parlamentares aproveitaram a folga estendida para se mostrar a eleitores e ainda reforçar suas posições ideológicas.

Camila Turtelli e Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 15h25

Carnaval é tempo de folia, mas também de política, ao menos nos redutos eleitorais dos deputados.  Com o Congresso em recesso até a próxima quinta, 27, parlamentares aproveitaram a folga estendida para se mostrar a eleitores e ainda reforçar suas posições ideológicas.

"Sambando na cara do machismo”, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) começou uma das suas muitas postagens nas redes sociais neste carnaval. Pelo Instagram, foi possível acompanhar a parlamentar circulando pelos blocos da capital paulista distribuindo adesivos com mensagens de combate ao assédio sexual contra as mulheres.

A deputada, uma das caras da chamada 'nova política', ainda dançou, cantou e fez paródias com hits da moda. “Maquiagem tá ok. Sobrancelha tá ok. Adesivo tá ok", cantou, em referência ao funk Brota no Bailão pra Desespero do seu Ex.

Em Recife, o namorado de Tabata, o deputado João Campos (PSB-PE), mostrou imagens do Galo da Madrugada, um dos blocos mais tradicionais de Pernambuco, e dançou ao lado dos cordeiros. Nas redes sociais da namorada, João aparece colando um adesivo no braço em que é possível ler uma mensagem contra assédio: “Ela brinca com quem quer”.

A iniciativa do pernambucano rendeu elogio nas redes sociais de Tabata. “O meu crush é feminista (só tá um pouco longe)”, escreveu ela.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Aprendendo a dançar com quem sabe! Um dia chego lá! . #GaloDaMadrugada #OmaiorBlocoDoMundo

Uma publicação compartilhada por João Campos (@joaocampos) em

Também em Pernambuco, o deputado Túlio Gadelha (PDT-PE) foi atração no Bloco da Lama, que faz uma homenagem ao movimento Manguebeat, e também desfilou mascarado pelas ladeiras de Olinda. Gadelha fez vídeos com uma máscara comprada no Peru que faz alusão aos Collas, povos anteriores aos Incas. “Povos originários da América Latina”, escreveu ele no Instagram.

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) manteve o tom político também durante a folia. Ela saiu com um grupo de amigas levando na cabeça adereços  em menção ao Trotskismo (doutrina marxista baseada nos escritos do político e revolucionário ucraniano Leon Trótski). "Bela, antifascista e do carnaval", escreveu.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Somos a morte do capital

Uma publicação compartilhada por Sâmia Bomfim (@samiabomfim) em

Outros brincaram com os personagens escolhidos pelos foliões em blocos de rua. Foi o caso de Paulo Ganime (Novo-RJ), que tirou foto ao lado de um "fantasma do comunismo". 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

BOOOOOOOOO

Uma publicação compartilhada por Paulo Ganime (@pauloganime) em

E olha que mesmo os representantes da bancada evangélica já desfilaram nesse carnaval. Mas com responsabilidade. O pastor Sargento Isidório (Avante-BA), por exemplo, caminhou pelas ruas de Salvador com um estandarte nas mãos ressaltando a importância da família aos foliões. "A placa tinha os dizeres: "Família, maior motivo para brincar em paz e voltar pra casa."

A equipe de Marcelo Freixo (PSOL-RJ) fez mais de uma dúzia de postagens relacionadas ao carnaval neste mês, mais de uma em que o deputado indica a paixão e a torcida pela Mangueira que neste ano adaptou a história de Jesus no enredo na Sapucaí. O enredo da Estação Primeira também foi destaque em fotos publicadas por Natália Bonavides (PT-DF). Ambos publicaram trechos da letra do samba da escola, que, mais uma vez, apresentou um desfile com críticas sociais e políticas.

Mas e meio a tanta euforia, também houve parlamentar que fez questão de mostrar que não tem samba no pé. Kim (DEM-SP), por exemplo, usou a redes para postar uma foto sua ao lado de um console de game com a legenda: "Partiu carnaval."

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

PARTIU CARNAVAL

Uma publicação compartilhada por Kim Kataguiri (@kimkataguiri) em

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