Prefeitura de Santa  Cruz das Palmeiras
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Com represas baixas, Santa Cruz das Palmeiras é primeira cidade a racionar água

Cidade com 30 mil habitantes é a primeira no Estado de São Paulo a cortar o fornecimento de água; Interrupção será das 8h às 16h

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2018 | 17h48

SOROCABA – Com o nível dos reservatórios abaixo da média, o abastecimento de água começou a ser racionado, nesta quinta-feira, 28, em Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo. A cidade de 30 mil habitantes é a primeira do Estado a adotar oficialmente o racionamento este ano. O fornecimento está sendo cortado das 8 às 16 horas para reduzir o consumo atual, de 10 milhões de litros por dia.

Moradores que forem flagrados lavando carros, calçadas ou desperdiçando água podem ser multados em até R$ 950, conforme lei municipal. De acordo com o chefe de gabinete Jorge Alberto Galimberti, por enquanto as pessoas estão sendo advertidas. “A ideia é orientar, mas se não houver colaboração, vamos passar a multar.” Das três represas, apenas uma está com o nível aceitável. As outras estão com volume abaixo de 50% - na Represa David, o fundo já está visível.

+++ Nível do Sistema Cantareira é menor do que em 2013

Segundo o Departamento de Água, este ano choveu 350 mm a menos que no mesmo período de 2017, com a última chuva em 10 de maio. “Estamos entrando em racionamento muito antes do que esperávamos. No ano passado, só foi necessário racionar no início de setembro”, disse o prefeito José Bussaglia, que assumiu a prefeitura na quarta-feira, 27 – a cidade teve eleições suplementares. Segundo ele, o município passa por racionamentos desde 2014 por falta de investimentos para ampliar as captações.

A comerciante Mercedes Lacerda Felipe, dona do restaurante Avenida, armazena água num depósito próprio para não ficar sem o líquido. “Água é essencial no nosso ramo, mas todo ano, nessa época, acontece isso. Entra prefeito, sai prefeito e ninguém dá um jeito na água”, reclamou. O dono do lava-rápido Washlub, Ronei Souza, instalou um reservatório de 15 mil litros para manter o serviço. “Quando a água chega, a gente enche, senão não dá para trabalhar. Todo ano acontece, mas neste parece mais grave. Se não chover, vamos ter de comprar água”, disse.

+ Para lembrar: Um ano e meio depois, Cantareira sai do volume morto

Em Itu, região de Sorocaba, a Companhia Ituana de Saneamento informou que pode adotar o racionamento se o consumo continuar elevado. Uma campanha lançada para incentivar o uso consciente da água resultou em economia de 10%, mas a expectativa era de reduzir o consumo em 30%. Consumidores flagrados desperdiçando água estão sendo notificados. Das sete barragens de captação, duas – Itaim e Gomes – estão com nível baixo, em 60% da capacidade.

Conforme o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Ceptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, os últimos dias foram marcados por baixos índices de umidade do ar no Estado de São Paulo. Nos próximos dias, não haverá mudanças significativas no clima, permanecendo a condição de elevada variação de temperatura e baixos níveis de umidade relativa do ar, fatores que elevam o consumo de água e o risco de queimadas.

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