Com presença do tráfico, obras do PAC começam no Rio

Os operários começaram o trabalho com a alargamento e pavimentação de ruas da Favela da Fazendinha

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo,

17 de março de 2008 | 19h24

O início das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) começaram nesta segunda-feira, 17, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, com a presença do tráfico local. Os trilhos de trem continuam fincados no asfalto das principais ruas de entrada das favelas para impedir o acesso da polícia e quadrilhas rivais. Os operários iniciaram o trabalho de alargamento e pavimentação de ruas da Favela da Fazendinha, onde será instalada a estação final do teleférico.  Veja também:Governo monta showroom de obras do PAC nos morros do RioVeja quais são as obras do PAC nos morros do Rio  Veja o balanço do PAC   O vice-governador e secretário de Obras do Estado, Luiz Fernando Pezão, que esteve no local e depois foi à Favela da Grota, onde foi homenageado com uma placa pelas 12 associações de moradores do conjunto de favelas, disse que a segurança não será um problema para a realização das obras e negou qualquer acordo com o traficantes. "Não vejo a questão como um problema. Os próprios moradores garantirão a segurança aos trabalhadores", disse Pezão. Ele negou qualquer acordo entre autoridades e traficantes. "Não acredito nisso. Se teve, não fui eu que fiz", afirmou. Os líderes comunitários voltaram a negar que intermediaram qualquer trégua com os criminosos para a realização das obras. No local onde as obras começaram não havia qualquer policiamento. Agentes da Força Nacional de Segurança, que patrulham os acessos às favelas, disseram que pouco antes da chegada da comitiva houve intensa movimentação de homens armados com fuzis nas lajes dos barracos e confirmaram que os traficantes estariam mais discretos desde o início das obras. "Há algum tempo, não ouço tiros. Desde que começou esta coisa de PAC, a situação ficou mais calma ", contou um policial. Os policiais confirmaram que, apesar do recuo, os traficantes continuam no local. "Somos monitorados 24 horas por eles", disse um policial. Eles confirmaram que não fazem mais revistas de carros e moradores, como faziam no início do cerco ao Complexo do Alemão. "Agora atuamos mais na contenção", afirmou. Os moradores ainda estão descrentes sobre as obras e estão preocupados com as remoções. No domingo, 16, o engenheiro responsável pelos trabalhos no Alemão, Hamilton Vaz Casé, da Empresa de Obras Públicas (Emop), informou que 4 mil casas serão removidas, mas este número ainda pode subir. "É uma estimativa. Conforme a execução do projeto, o número de remoções pode ser adequado", disse Casé. De acordo com a Emop, 380 casas serão removidas na primeira fase da obra e 2,6 mil novas unidades serão construídas.

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