Com pouca opção, pedestres se arriscam na nova Jacu-Pêssego

Avenida inaugurada no fim de semana cortou bairros ao meio e conta só com 3 passarelas de estrutura metálica

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2010 | 00h00

No fim de semana da entrega do novo trecho da Avenida Jacu-Pêssego, pedestres se arriscaram em travessias perigosas sobre a via expressa. Como vários bairros foram cortados ao meio e não há passarelas em alguns trechos, quem teve de atravessar não teve outra alternativa senão se arriscar. Hoje, no primeiro dia útil após o tráfego ser liberado, a expectativa dos moradores é de que a situação fique pior.

A inauguração da obra, de responsabilidade do governo estadual, foi realizada no sábado, após ser adiada duas vezes para o término dos trabalhos. No entanto, ainda há pendências: a iluminação é feita por geradores, alças viárias estão em obras e a construção de cinco passarelas para pedestres ao longo da via sequer foi iniciada - até agora, há três passagens temporárias de estrutura metálica, mas moradores alegam ter medo de usá-las.

É o caso do auxiliar de pedreiro Luiz Carlos da Silva, de 33 anos. Ontem, ele atravessou o novo trecho da Jacu-Pêssego correndo entre os carros a poucos metros da passarela. "Dá até medo de subir. E o pior é ver criança pequena correndo ali em cima, com todo esse espaço entre as barras. Pra cair, não custa nada."

Divisão. O problema é ainda maior nos trechos onde nem passarela provisória há. Um exemplo é o bairro Jardim Santo André, na cidade de mesmo nome do ABC paulista. O bairro foi cortado ao meio pela nova via - algumas casas tiveram de ser desapropriadas e demolidas, mas sobraram imóveis e comércios dos dois lados da pista. Para ir de um lado ao outro, não tem jeito: é olhar para os lados, respirar fundo e correr para não ser atingido pelos veículos.

A diarista Andresa Roberta Rocha, de 30 anos, foi uma das que adotou a tática ontem. Ela foi visitar a mãe, que mora do outro lado da avenida, com dois dos cinco filhos: Roberta, de 5 anos, e Robert, de 3. "Não tenho o que fazer. Fico com medo principalmente por causa das crianças, mas deixar de visitar a minha mãe é que não vou", lamentou.

No sábado, durante a inauguração, o governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou que as três passarelas de estrutura metálica serão substituídas pelas de concreto e outras duas serão construídas. Entretanto, os editais para as obras foram lançados apenas há dez dias. Segundo o secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, elas estarão prontas seis meses após o término das licitações.

Mais obras. O governador aproveitou a ocasião para anunciar também a construção de uma nova etapa do complexo viário, que agora vai ligar a nova Jacu Pêssego à Avenida dos Estados, em Mauá. O projeto está orçado em R$ 200 milhões e a previsão é de que seja concluído em março de 2011. O novo trecho terá 3 quilômetros de extensão e vai complementar o que foi inaugurado no fim de semana, de 13,6 km.

O governo estadual prevê que 40 mil veículos por dia utilizem a nova Jacu-Pêssego, que liga a Rodovia Ayrton Senna ao Trecho Sul do Rodoanel e à Avenida Papa João XXIII, em Mauá. O custo total foi de R$ 1,9 bilhão.

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