Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Com pouca chuva, Sabesp pede mais água do Rio Paraíba do Sul para abastecer São Paulo

Medida ocorre quando o Sistema Cantareira opera com menos de 30% do volume útil

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2021 | 05h00

Apesar das últimas chuvas em algumas regiões paulistas, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) foi autorizada a retirar mais água do Rio Paraíba do Sul para abastecer a Grande São Paulo. A transposição de água para o Sistema Cantareira foi autorizada em caráter excepcional pela Agência Nacional de Águas (ANA) nesta quarta-feira. A retirada havia sido suspensa em 3 de setembro, depois que a companhia bombeou para o Cantareira os 162 milhões de metros cúbicos que estavam autorizados. Outra transposição só deveria ocorrer em 2022.

A interligação dos sistemas através de bombeamento foi adotada após a crise hídrica de 2014, quando o nível do Cantareira baixou ao ponto de não suprir o consumo da região metropolitana. A autorização para retirar água da bacia do Paraíba do Sul é dada quando o Sistema Cantareira passa a operar com menos de 30% do volume útil. Nesta sexta, a capacidade operacional estava em 28,2%.

Com a nova autorização, a água será retirada do reservatório Jaguari, na bacia do Paraíba, e repassada para a represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, no Cantareira. O início da transposição ainda será definido pelos órgãos envolvidos. A medida vale até 31 de dezembro. O nível das represas do sistema vem caindo desde o primeiro semestre, com a estiagem. As chuvas foram abaixo da média este ano e, mesmo com as últimas precipitações, insuficientes para alterar a situação.

A volta da transposição foi pedida pela Sabesp. Responsável pelo abastecimento de cerca de 8 milhões de habitantes da Grande SP, a companhia já reduziu a pressão da água injetada no sistema de abastecimento para reduzir o consumo e, segundo informa, evitar desperdícios. A medida afeta principalmente os bairros mais altos e as residências sem caixa d’água. 

O Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba Capivari e Jundiaí (PCJ) já havia alertado sobre a possível necessidade de aumento na transposição para o Cantareira na segunda quinzena de setembro. Na ocasião, diz a entidade, o comportamento climático e a queda no nível das represas já preocupavam sua equipe técnica. Além de atender parte da Grande SP, a água do Cantareira irriga rios que abastecem as regiões de Campinas, Jundiaí e Piracicaba.

A ANA autorizou a retirada de 40 milhões de metros cúbicos adicionais da represa Jaguari, no Paraíba do Sul, e a transferência desse montante ao reservatório de Atibainha. Por ser o Paraíba um rio interestadual, que abastece também municípios fluminenses e mineiros, a medida teve a anuência do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro e do Instituto Mineiro de Gestão de Águas. Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, esteve na assinatura do comunicado conjunto. Na ocasião, o diretor-presidente substituto da ANA, Oscar Cordeiro Netto, lembrou que a medida visava a evitar riscos maiores ao abastecimento em São Paulo. A vazão média de captação na Jaguari será de 5,13 metros cúbicos por segundo. 

A Sabesp informou que, com as poucas chuvas deste ano, o bombeamento de água do rio Jaguari para o Atibainha dá mais segurança hídrica às regiões metropolitanas da capital e de Campinas. 

Período chuvoso

Ainda segundo a companhia, o período chuvoso ainda está no início, e a projeção aponta níveis satisfatórios dos reservatórios da Grande SP, “com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada”. 

No interior do Estado, as chuvas dos últimos dias trouxeram alívio à situação de alguns mananciais. Em Franca, o rodízio iniciado há mais de um mês foi encerrado na segunda-feira. A Sabesp, porém, pede à população economia de água.

O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de São José do Rio Preto reduziu em duas horas o racionamento diário, após ter 92 milímetros de chuva este mês. No ano todo, choveu 545 mm, menos do que os 815 mm de 2020. O racionamento começou em 12 de maio e pode acabar ao fim deste mês.

O Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) alterou o rodízio de 24 horas com água e 48 sem água para 24 horas com e 24 sem, após chuvas elevarem o nível da lagoa de captação do Rio Batalha em quase 1 metro. 

Valinhos e Itu continuam com o racionamento. Vinhedo, com rodízio desde o dia 11, manterá a medida de forma preventiva. Porto Feliz continuará, também, com a restrição.

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