Com policiais civis, lei seca ganha agilidade

Na 1ª blitze com a PM, 66 motoristas foram flagrados embriagados e 23 vão responder criminalmente por ter mais de 0,34 mg de álcool por litro de ar

GIO MENDES , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h05

Pela primeira vez, a Polícia Civil acompanhou as blitze da lei seca na capital paulista. Ontem de madrugada, investigadores da Delegacia de Crimes de Trânsito (DCT) participaram da operação com o objetivo de levar diretamente ao Instituto Médico-Legal (IML) os motoristas abordados por policiais militares que se recusaram a soprar o bafômetro.

Segundo levantamento da Polícia Militar, 66 motoristas foram flagrados dirigindo embriagados. Desses, 23 foram indiciados na DCT e vão responder a processo criminal por apresentar mais de 0,34 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

Os investigadores da DCT tinham requisições para a realização de exames clínicos no IML. Dez motoristas se recusaram a fazer o teste do bafômetro e serão investigados. De acordo com o major Joselito Junior, do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) foram realizados 16 bloqueios na cidade das 22h30 de anteontem até as 6h de ontem. Participaram da operação cem policiais militares e 50 policiais civis.

As blitze aconteceram no túnel que leva à Avenida Paulista, no centro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim-Bibi, zona sul, e na Rua Amaral Gurgel, em Santa Cecília, região central, entre outros pontos da capital.

O delegado José Sampaio Lopes Filho, da DCT, disse que o encaminhamento rápido dos motoristas suspeitos de embriaguez para o IML impede que eles escapem da autuação. "Antes, os PMs tinham de levar o motorista que se recusou a fazer o teste do bafômetro para uma delegacia, onde demoravam para ser atendidos porque havia outras ocorrências na frente. Se há demora para fazer os exames, o motorista sai do estado de embriaguez", afirmou Lopes Filho.

O major Joselito afirmou que a parceria com a Polícia Civil vai tornar o trabalho da PM mais ágil. "Antes era preciso deslocar uma patrulha até a delegacia para apresentar o motorista que não quis soprar o etilômetro (bafômetro). Agora, essa equipe permanecerá mais tempo nas ruas para ajudar na abordagem de mais motoristas", disse o oficial da PM. A operação de ontem serviu de teste para novas ações integradas entre as polícias. Lopes Filho não informou com que frequência a DCT participará das blitze.

De acordo com o balanço da PM, 988 motoristas foram submetidos ao bafômetro, dez se recusaram a fazer o teste e serão investigados. Dos 66 motoristas flagrados embriagados, 43 foram autuados pela PM por apresentar entre 0,14 e 0,33 mg de álcool por litro de ar expelido e serão punidos com multa de R$ 957. A habilitação pode ser suspensa por um ano.

Flagrantes. Após fazer a última entrega do dia, um caminhoneiro de 32 anos, que pediu para não ser identificado, resolveu tomar um conhaque antes de voltar para a empresa e guardar o veículo. No caminho de volta, foi parado na blitz da Avenida Paulista. O bafômetro acusou 0,38 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

No mesmo bloqueio, a PM deteve um motorista que tinha 0,88 miligrama de álcool, muito acima do nível permitido.

Na Avenida Brigadeiro Faria Lima, uma mulher tentou fugir do bloqueio por volta das 5h. "Ela subiu no canteiro para pegar a outra pista em alta velocidade. Ultrapassou o sinal vermelho e quase atingiu um carro ocupado por uma família", disse o major Joselito.

A mulher tinha 0,48 mg de álcool. Além de responder criminalmente por embriaguez ao volante, será processada por direção perigosa.

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